Pesquise neste blog

Mais notícias

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Comércio sexual infantil do Brasil sobe em 2014 a Copa do Mundo se aproxima

Comércio sexual infantil do Brasil sobe em 2014 a Copa do Mundo se aproxima

Criança comercial do Brasil sexo: Jessica, 16, que foi preso durante uma batida em um clube de sexo, mostra sua tatuagem em um abrigo para meninas em Fortaleza.
A pequena figura em minúsculos calções brancos e um top sem alças rosa se ​​inclina contra uma cerca de metal do lado de fora de uma escola na cidade de Fortaleza, capital do estado do Ceará, nordeste do Brasil .
Ela tem lábios revestidos de brilho, e sua cabeça amarelo, segurando o cabelo comprido, brilha à luz do abajur junto Avenida Juscelino Kubitschek, que liga a cidade à arena Castelão, uma das sedes para aCopa do Mundo de 2014 . Um carro puxa para cima. A menina sobe dentro
Esta é uma cena comum em todo o estádio, em Fortaleza, considerado Brasil da criança prostituição de capital e um ímã para o sexo turismo, de acordo com autoridades locais.
Travestis também trabalham nas calçadas empoeiradas desta via recém-renovado, mas as meninas estão em maior demanda. "Assim que atingiu a avenida estão pegou", diz Antônia Lima Sousa, um procurador da República que trabalha em crianças direitos das em Fortaleza. "É realmente uma questão de minutos. Você vai encontrá-los em torno da cidade durante o dia também."
Apesar de mais de uma década de governo compromete-se a erradicar a prostituição infantil, o número de profissionais do sexo da criança no Brasil era de cerca de meio milhão em 2012, segundo o Fórum Nacional de Prevenção do Trabalho Infantil, uma organização não-governamental.
Isso é um aumento de cinco vezes desde 2001, quando 100 mil crianças trabalhavam no comércio do sexo, de acordo com estimativas do Unicef, a caridade das crianças das Nações Unidas.
E com a Copa do Mundo se aproximando, em junho, funcionários e ativistas temem uma explosão na prostituição infantil, como profissionais do sexo migram para as grandes cidades dos estados interiores e cafetões recrutar mais jovens para atender à demanda crescente de fãs de futebol locais e estrangeiros.
"Estamos preocupados exploração sexual vai aumentar nas cidades-sede e em torno deles", diz Joseleno Vieira dos Santos, que coordena um programa nacional de combate à exploração sexual de crianças, na Secretaria de Direitos Humanos do Brasil. "Nós estamos tentando coordenar os esforços, tanto quanto possível com os governos estaduais e municipais para entender a extensão do problema."
Mas as autoridades têm uma batalha em suas mãos, como profissionais do sexo se preparam para lucrar com um comércio pára-choques.
A Associação Mineira Estado de Prostitutas, que representa os trabalhadores do sexo em um dos maiores estados do Brasil, está até oferecendo aulas gratuitas de inglês para prostitutas na capital Belo Horizonte, outra cidade-sede da Copa do Mundo.
"Haverá muito mais pessoas que circulam nesta área durante os jogos, com certeza, ea cidade estará cheia de turistas", diz Giovana, 19, um travesti que trabalha uma esquina perto do estádio Castelão. "Eu sei que vai haver mais trabalho para todos - mulheres, meninas, todo mundo".
CHORUDAS
O torneio deve atrair 600 mil visitantes estrangeiros para o Brasil, que vai gastar cerca de 25 bilhões de reais (R $ 6,5 bilhões), enquanto viaja por todo o país, o Instituto Brasileiro de Turismo, Embratur, diz.
O campeonato pode injetar 113bn reais na economia em 2014, a Fifa disse, citando um relatório da Ernst & Young.
O governo do Brasil terá gasto 33 bilhões de reais em estádios, transporte e outras infra-estruturas no momento em que o torneio começa, assim como 6 milhões de libras em publicidade. Em contrapartida, muito pouco está sendo gasto na luta contra a exploração sexual de menores, os ativistas dizem.
A Secretaria de Direitos Humanos reservou 8m de reais para as cidades-sede para configurar projetos de combate à prostituição infantil, mas nem todas as cidades têm programas para absorver os fundos, diz Santos.
Seu departamento está finalizando uma revisão de prostituição infantil em locais-chave e, em seguida, decidir que medidas tomar. Mas todos os programas só vai arranhar a superfície.
"Nós percebemos que estamos apenas tocando a ponta do iceberg com essas ações para a Copa do Mundo, mas esperamos capacitar e implementar programas mais duradouros no futuro", diz Santos.
Além Secretaria de Direitos Humanos, o governo não pode fornecer dados precisos sobre os gastos totais para combater a prostituição infantil, mas ativistas dizem alguns esquemas foram fechados. Eles argumentam que o governo não está fazendo o suficiente para resolver o problema.
"Este assunto não é realmente parte da agenda do governo e não vemos a disposição de unir esforços ou aumentar os recursos para enfrentar a exploração sexual de crianças", diz Denise Cesário, gerente executiva da Fundação Abrinq, um parceiro local da Save the Children International.
A atração de Fortaleza
O turismo sexual ocorre em todo o Brasil, mas Fortaleza - um dos principais destinos turísticos do Nordeste, com praias de areia branca e cerca de 300 dias de sol - é o centro principal da indústria.
A cultura do machismo, combinado com a pobreza extrema e uso de drogas, criou o ambiente perfeito para a exploração sexual, dizem os trabalhadores sociais como Cecília dos Santos Góis, que trabalha para Cedeca, caridade dos direitos da criança.
"As mulheres no Nordeste têm sido tradicionalmente tratadas como cidadãos de segunda classe, como objetos, mesmo", diz ela. "Muitos pais vêem suas filhas como fonte de renda e que é uma atitude cultural que é difícil de mudar."
Mais telefonemas são feitos a partir de Fortaleza para um número gratuito em todo o país para denunciar a exploração sexual de crianças do que de qualquer outra cidade brasileira em uma base per capita, dizem especialistas.
Muitos dos trabalhadores do sexo jovens de Fortaleza ver a prostituição como uma forma de escapar suas circunstâncias. Mas, para 16 anos de idade, Jessica, uma morena alta, o seu plano de fuga pousou-a em apuros.
Ela começou o trabalho sexual com clientes locais, ganhando cerca de US $ 18 (£ 11) a noite, antes de se formar a boates maiores e grupos de turistas estrangeiros para cerca de US $ 90 por noite.
A polícia prendeu em setembro em um ataque a um clube na praia de Iracema, um bairro lotado repleto de animados restaurantes, hotéis e bares.
Levaram-na para um dos quatro abrigos para prostitutas menores de idade, uma casa de dois andares discreto em um bairro de classe baixa, acessível apenas através de um portão de ferro estreita observava o tempo todo por seguranças. Ela está à espera de um juiz para decidir se ela pode voltar para casa para sua mãe.
À espera de um príncipe
Sentado no pequeno quarto que ela divide com três meninas mais jovens, Jessica diz que um de seus clientes regulares, um espanhol, prometeu levá-la para a Europa. "Eu disse a ele que eu tinha 18 anos e eu estava ficando meu passaporte", diz ela, colocando um top cor de arco-íris em calças tropical-impressão verde e amarelo. "Eu paguei 500 reais para uma identidade falsa e estava guardando dinheiro para comprar um passaporte falso. Mas no final eu estava com medo de ir."
Leonora Albuquerque, um dos coordenadores do abrigo, conta a história de Jessica é típico. "Como tantas meninas que entram em esta vida, Jessica tem fantasias que ela vai encontrar seu príncipe encantado - um cliente estrangeiro que vai se apaixonar por ela - e ele vai levá-la para a Europa e comprar suas roupas extravagantes, perfumes, jóias ", diz ela.
Os proxenetas e os clientes raramente são punidos e quando os promotores conseguem construir um caso contra eles, os sobreviventes muitas vezes mudar seus testemunhos e os casos são jogados fora, diz Francisco Carlos Pereira de Andrade, um promotor de justiça penal, que é especializada em exploração infantil.
Dos 2.000 casos antes de seu departamento, que lida com a violência sexual contra as crianças, apenas cerca de 20 envolvem a prostituição infantil.
O rosto do turismo sexual em Fortaleza também está mudando, tornando-o mais difícil de capturar criminosos, diz Sousa.
Em vez de trabalhar nas ruas, grupos organizados de cafetões, gerentes de hotéis e taxistas recrutar jovens. Clientes estrangeiros encomendar as prostitutas menores de idade, antes de chegar em Fortaleza e eles são entregues diretamente para os seus hotéis, Sousa acrescenta.
Meninas no menu
Sexta à noite na praia de Iracema e um pequeno grupo de homens loiros alemães estão bebendo cerveja em mesas na calçada, acompanhado de perto por um segurança.
Seis profissionais do sexo de adultos estão por perto, alguns sentados com eles, balançando os cabelos de um lado para o outro. Mas os turistas têm outra coisa em sua mente.
"Eles estão à espera de um sinal para que eles saibam as meninas eles encomendados estão prontos", diz o assistente social Góis, em uma de suas rondas de vigilância de rotina dos centros de prostituição infantil."O bar está envolvido. Os taxistas que esperam no canto provavelmente estão envolvidos também. E alguns hotéis nas proximidades fazem parte desta rede."
Embora o turismo sexual internacional é destaque em Fortaleza, que representa apenas um terço de todos os casos de prostituição infantil relatados. Prostitutas com clientes brasileiros, do Ceará ou estados vizinhos, são muito mais comuns, dizem os promotores.
Esse foi o caso de Vanessa, que tinha 13 anos quando a polícia a pegou em outubro, não muito longe do estádio Castelão.
Ela deixou sua casa em um bairro pobre, quando ela tinha 10 anos, depois de seu padrasto começou a bater nela, ela diz. Ela viveu na maior parte nas ruas, indo para abrigos de vez em quando e passar noites com os clientes, alguns dos quais ela chama de amigos.
Suas bochechas rechonchudas, dentes brancos perfeitamente alinhados e olhos brilhantes tornam difícil acreditar que ela está passando por tratamento para abuso de cocaína e crack. "Eu quero estudar,. Que eu realmente gosto de matemática Mas às vezes eu só quero desaparecer e ir morar em Marte com os astronautas", ela ri.
No mês passado, Vanessa invadiu a sala de manutenção no abrigo, pegou uma escada e escalou o muro de 2,5 metros em torno do edifício, de acordo com Albuquerque, que trabalha no abrigo. Ela convenceu outras duas meninas, com idades entre 12 e 13, para voltar com ela para a área do estádio Castelão. Foi a quarta vez que ela havia escapado em menos de seis meses.
"É muito difícil convencer essas meninas para levar uma vida normal", acrescenta Albuquerque. "A maioria deles acha que o abuso ea venda de seus corpos é apenas um fato da vida."


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Tráfico de Pessoas: a destruição de sonhos e vidas .Entrevista com Irmã Eurides Alves de Oliveira, publicada na edição 443, fevereiro de 2014.Mundo Jovem

É degradante pensarmos na pessoa como mercadoria. Inverte totalmente a essência do que é ser humano e esvazia a pessoa da sua dignidade e do seu direito de ser livre. Com a globalização, intensificaram-se os processos de migração e de tráfico humano, uma realidade que interpela todas as pessoas de boa vontade a se indignarem, a se informarem e a buscarem os meios de erradicar esse verdadeiro crime que destrói a vida e os sonhos de muita gente, especialmente de jovens. Entrevistamos a irmã Eurides Alves de Oliveira (ICM), coordenadora da Rede Um Grito Pela Vida, uma rede de enfrentamento ao tráfico de pessoas, vinculada à Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e à CNBB.
  • O que a levou a trabalhar com o tema e a causa do tráfico de pessoas?
    Sensível à questão dos pobres, que sempre foi a origem da minha vocação, esse compromisso foi se direcionando para a questão das mulheres. A grande incidência da violência doméstica e de uma certa forma da não participação das mulheres nos espaços públicos da sociedade e na Igreja me levou a um engajamento mais direto com a questão das mulheres vítimas da violência. Nós tínhamos muitas congregações trabalhando com a migração, com a violência contra as mulheres, com crianças e adolescentes em situação de risco, ou seja, sujeitos em potencial para o tráfico humano. Eu, pessoalmente, também não tinha noção. Alguma coisa por meio de filme ou aquela ideia estereotipada que temos sobre as mulheres que vão para Europa e são escravizadas, mas algo bem longe de nós. Mas então fizemos uma capacitação e essa foi uma experiência que me tirou o véu. Eu me dei conta de que aquelas pessoas com quem trabalhávamos eram vítimas de violência, da exclusão, das vulnerabilidades. Eram também vítimas em potencial do tráfico e que muitos casos de tráfico estavam acontecendo bem perto de nós e não percebíamos.
  • Foi a partir daí que nasceu a Rede Um Grito pela Vida?
    Sim. Percebemos que o tráfico de pessoas é um mecanismo de comércio e crime que acontece longe e perto de nós. O tráfico é uma rede organizada do crime. E para enfrentá-lo também tínhamos que ter uma rede organizada de enfrentamento. Daí nós decidimos: vamos formar um grupo e vamos ser uma rede. E saímos dali com um pequeno plano, em que a meta principal era sensibilizar as nossas instituições da existência do problema. Hoje nós temos 22 núcleos espalhados em 19 estados. Os núcleos funcionam de forma descentralizada, com as mais diversas atividades, mas o foco maior é na prevenção, na incidência política e na linha da assistência às vítimas como canais de mediação. Nos nossos espaços não há abrigos ou equipe técnica para assistência. Quando aparecem os casos, fazemos a mediação com a secretaria de saúde, com os órgãos do governo, nas casas de abrigo, nas delegacias de mulheres. Em cada localidade, vamos descobrindo onde estão os canais de apoio a esses casos.
  • O que é o tráfico de pessoas?
    Eu costumo dizer que o tráfico de seres humanos é a demonstração da irracionalidade do sistema capitalista. Infelizmente, ele é tratado na maioria das vezes apenas como um crime de ordem policial. Mas eu diria que ele é um problema difícil de se definir porque é mais uma das expressões das mazelas ou das práticas desse sistema econômico firmado no lucro e na mercantilização de tudo, especialmente na mercantilização da vida. E aí ele pode ser analisado das mais diversas formas: apenas como crime, apenas como uma questão moral, quando se trata da exploração sexual. Mas nós partimos da compreensão de que se trata de uma prática de violação dos direitos humanos, violação da dignidade das pessoas, que fere profundamente a sua integridade. Então trabalhamos a partir dos direitos humanos violados. Há toda essa dimensão da coerção da liberdade que nós devemos ter no direito civil, que é também, para nós, um direito teológico: Deus nos fez para sermos livres. Outro viés é que se trata de um negócio, que demanda ações socioeconômicas e também ação jurídica e criminalística.
  • Então, parece que é um tema muito complexo...
    Não é um tema fácil. É uma realidade presente, mas que de uma certa forma fica invisível, porque aparece muitas vezes noutros guarda-chuvas: da pobreza, da exploração, das desigualdades e da discriminação de gênero, da falta de trabalho, do turismo sexual etc. Então, o tráfico de pessoas está presente em muitas situações de vulnerabilidade em que as pessoas vivem. E, sobretudo, é um mecanismo de fazer muito dinheiro, porque hoje é considerado a terceira fonte mais lucrativa do mundo e está junto com as drogas e as armas.
  • Como é tratado o tráfico de pessoas pelos governos?
    A definição de tráfico de pessoas mais aceita mundialmente é a do Protocolo de Palermo, nome pelo qual ficou conhecida a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional", realizada na Itália, em 1999. Ele define que para ser tráfico de pessoas deve haver um recrutamento da pessoa, tirada do seu habitat, do seu país, do seu estado ou município para outro, por meio de coerção, uso da força, engano, ilusão, para além da sua vontade ou com o consentimento a partir do engano e da mentira. A pessoa é levada para uma outra situação que não lhe dá liberdade, para fins de exploração, onde é mantida em situação de escravidão. Essa exploração do tráfico de pessoas tem várias faces: a exploração sexual (86% das vítimas para a exploração sexual são mulheres e crianças, sobretudo adolescentes), em que a maioria é vítima de situação de vulnerabilidade ou porque já sofreu violência familiar, ou já estava no mercado da prostituição e viu nas propostas que lhe faziam a possibilidade de ganhar mais ou o sonho de ir para fora do país. A outra face é a exploração no trabalho, de forma escravocrata, porque infelizmente a abolição passou longe. No Brasil, nós temos mais de 25 mil trabalhadores em situação de escravidão, principalmente nas áreas rurais, trabalhadores da cana, dos empregos temporários, das olarias ou nos grandes projetos.
  • Onde vocês buscam inspiração e disposição na realização do trabalho contra o tráfico humano?
    A fundamentação principal é que o nosso Deus é o Deus da vida. O nosso Deus é um Deus da liberdade, que não pode compactuar com a exploração e com a escravidão. Podemos perpassar a Bíblia de ponta a ponta e vamos encontrar as ações de Deus sempre como um Deus que defende a vida, muito atento ao clamor e ao sofrimento do povo. O texto que faz a gente não se omitir e não ficar indiferente com essa realidade é do livro do Êxodo: um Deus que vê, que escuta o clamor, que desce e que se põe a caminho com o seu povo, dizendo que não quer o seu povo escravo. Então tem que fazer caminho para libertar o seu povo. Também a profecia de Amós diz que nós não podemos compactuar com a injustiça, com as balanças em função do lucro, que roubam e que sacrificam as pessoas, que vendem o pobre por um par de sandálias. Portanto a venda de pessoas é radicalmente criticada pela profecia de Amós. Sobre mulheres vítimas de exploração sexual nós temos vários episódios bíblicos em que, para Jesus, a mulher não pode ser considerada objeto, não pode simplesmente ser julgada pela sua condição de pecadora. O papa Francisco também dizia que o tráfico de seres humanos é uma realidade vergonhosa nas sociedades que se dizem civilizadas e que ela é a mais intensa escravatura do século 21. E que os cristãos não podem ficar indiferentes a essa realidade.
  • O que o lema da Campanha da Fraternidade, "É para a liberdade que Cristo nos libertou", nos propõe?
    São Paulo prega a boa notícia como liberdade, como contraposição a uma pseudoliberdade que escraviza. Se lermos as cartas, vamos encontrar várias recomendações contra a libertinagem, em relação à bebedeira, ao abuso de poder etc. E diz: "isso escraviza, e é para a liberdade que Cristo nos libertou". Uma das questões que alimentam o crescimento da inserção das pessoas no mercado do tráfico é a cultura do prazer e do consumo. Além disso há o poder midiático de sedução para uma liberdade falsa, que busca a realização de um sonho pautado no ter, no tudo pode, que resulta muitas vezes numa frustração, num sonho de liberdade que vira pesadelo. Temos que trabalhar o sentido da liberdade. Acho que o texto do lema tem muito a ser explorado, porque a liberdade é que garante a vida, e não uma liberdade que causa a morte.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

CARTA FINAL DO 13º INTERECLESIAL DE COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE DO BRASIL AO POVO DE DEUS

Irmãs e irmãos da caminhada,

“Maria pôs-se a caminho... entrou na casa e saudou Isabel... bem aventurada tu que acreditaste... as crianças estremeceram de alegria no ventre ...” (cf. Lc 1,39-45)
Em atitude romeira, o povo das Comunidades Eclesiais de Base de todos os cantos do Brasil colocou-se a caminho respondendo ao chamado da grande fogueira acesa pela Diocese de Crato-CE, convocando para o 13º Intereclesial. A luz da fogueira alumiou tão alto que fez acorrer representantes de Igrejas irmãs evangélicas e de outras religiões. Até foi avistada em toda a América Latina e Caribe, Europa, África e Ásia.
O Cariri, “coração alegre e forte do Nordeste”, se tornou a “casa” onde se encontraram a fé profunda do povo romeiro, nascida do testemunho do padre Ibiapina e do padre Cicero, da beata Maria Madalena do Espírito Santo Araújo e do beato Zé Lourenço, com a fé encarnada do povo das CEBs nascida do grito profético por justiça e da utopia do Reino.
Houve um encontro entre a Religiosidade popular e a Espiritualidade libertadora das CEBs. As duas reafirmaram seu seguimento de Jesus de Nazaré, vivido na fé e no compromisso com a justiça a serviço da vida.
Bem aventurado o povo que acreditou!
A moda da viola e da sanfona cantou este acreditar. As palavras de dom Fernando Panico, bispo de Crato, na celebração de abertura confirmaram este acreditar, proclamando: as CEBs são o jeito da Igreja ser. As CEBs são o jeito “normal” da Igreja ser. Jeito normal de o povo de Deus responder no hoje à proposta de Jesus: ser comunidade a serviço da vida.
Ao ouvir a proclamação desta boa noticia, o ventre do povo que veio em romaria para Juazeiro do Norte ficou de novo grávido deste sonho, desta utopia. A esperança foi fortalecida. A perseverança e a resistência na luta foram confirmadas. O compromisso com a justiça a serviço do bem-viver foi assumido.
E a alegria estourou como fogos a vista e do meio da alegria escutamos a memória da voz querida de dom Helder Câmara, a se fazer ouvir: Não deixem a profecia cair! Não deixem a profecia cair!
A profecia não caiu. Ecoou nas palavras do índio Anastácio: “Roubaram nossos frutos, arrancaram nossas folhas, cortaram nossos galhos, queimaram nossos troncos, mas não deixamos arrancar nossas raízes.” Raízes indígenas e quilombolas que afundam na memória dos ancestrais, no sonho de viver em terras demarcadas, livres para dançar, celebrar e festejar a terra que é mãe.
Emergiu a memória do padre Ibiapina, que já incentivava a construção de cisternas de pedra e cal e o plantio de árvores frutíferas, para conviver com a realidade do semiárido. Reanimava assim a esperança e a dignidade do povo sertanejo. O protagonismo da beata Maria Araújo canalizou os desejos mais profundos de vida e vida em abundância, o que incomodou os grandes e a hierarquia eclesiástica. O padre Cícero e o beato Zé Lourenço continuaram acolhendo os excluídos no mesmo espirito de Ibiapina. Organizaram a comunidade do Caldeirão movida pela fé, trabalho, fartura e liberdade. Esta forma de convivência com o semiárido tem continuidade nas CEBs, nas pastorais e entidades comprometidas com os pobres,
A profecia ecoou na análise de conjuntura, que levou a constatar que o Brasil ainda precisa reconhecer que no campo e na cidade, não basta realizar grandes projetos. O grande capital prioriza o agro e hidronegócio e as mineradoras, continuando a expulsar do campo para concentrar as pessoas nas cidades, tornando-as objeto de manipulação e exploração, de concepções dominadoras e produtoras de profundas injustiças. O povo continua sendo despojado de sua dignidade: seus filhos e filhas definham no mercado das drogas e no tráfico de pessoas; é destituído de seus direitos à saúde, educação, moradia, lazer; a juventude é exterminada, obscurecendo a possibilidade de se projetar no futuro por falta de oportunidades; ainda existem preconceitos e outras violências marcam as relações de etnia, cor, idade, gênero, religião. Percebemos que transformar os cidadãos e cidadãs em consumidores é ameaça para o “Bem Viver”.
Ranchos (miniplenários) e chapéus (grupos) tornaram-se espaços de partilha das experiências de busca para compreender a sociedade que é o chão onde as CEBs labutam e vivem.
E nos passos de padre Cícero, as CEBs se tornaram romeiras nas veredas do Cariri, conhecendo realidades e comunidades; vivenciando a firmeza dos mártires e profetas; experimentando a partilha e a festa do jeito que o povo nordestino sabe fazer.
A sabedoria dos patriarcas e das matriarcas nos acompanhou resgatando a memória e orando: “Só Deus é grande”, “Amai-vos uns aos outros”.
A grandeza de Deus se revela nos romeiros, povo sofrido que ao assumir a organização da romaria, na prática da solidariedade, na reza e no canto dos benditos se torna protagonista e ressignifica o espaço da vida diária.
O amor é manifestado na profecia da mulher que no acariciar, no amassar o pão, na liderança e revolução carrega em seu ventre nossa libertação; na profecia que por amor à justiça se torna ecumênica; em Jesus de Nazaré que por primeiro viveu a justiça e a profecia a serviço da vida e nos desafia a sermos CEBs Romeiras do Reino no campo e na cidade.
A vivência comunitária no terreiro do semiárido renovou nosso acreditar. Exultamos de alegria como as crianças que saltaram de alegria no ventre das mães vislumbrando o novo. O Reino se fez presente no meio de nós. Seus sinais estão presentes na irmandade: oramos e refletimos, reavivamos à nossa frente rostos de mártires e profetas da caminhada, refletimos e debatemos, formamos a mesma fila para comer juntos a gostosa comida do Cariri, à mesma pia lavamos nossos pratos. Na circularidade do serviço, do canto, do testemunho reafirmamos o compromisso de ser CEBs: Romeiras do Reino, profetas da justiça que lutam pela vida, a serviço do bem-viver, sementes do Reino e da sua Justiça, comunidades profetas de esperança e da alegria do Evangelho.
Romeiros e romeiras sempre voltam para seu chão, repletos de fé e esperança. Nós também voltamos como romeiros e romeiras grávidos da utopia do Reino que é das CEBs. Voltamos para nosso chão, com uma mensagem do papa Francisco, bispo de Roma e Primaz na Unidade. Dele recebemos reconhecimento, encorajamento, convite a continuarmos com pisada firme a caminhada de sermos Igreja Romeira da justiça e profecia a serviço da vida.
Juntamo-nos à voz de Maria que louvou ao Deus da vida que realiza suas maravilhas nos humilhados. Unamos nossas vozes á sua para com ela derrubar os poderosos de seus tronos e elevar os humildes, despedir os ricos de mãos vazias e encher de fartura a mesa dos empobrecidos.
Irmãs e irmãos, vos abraçamos com amorosidade. Amém, Axê, Auerê, Aleluia!

Foto: Comunicação Intereclesial das CEBs

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

13 Encontro das Comunidades Eclesiais de Base - Compromisso e Comunhão



Primeiro Encontro do ano 2014 da Rede Um Grito Pela Vida - Regional Manaus/Roarima


A Rede Um Grito Pela Vida, no dia 04.01, Regional Manaus/Roraima, realizou o primeiro encontro do ano de 2014, como o objetivo de concluir o planejamento do ano e na parte da tarde fez o estudo da Campanha da Fraternidade sobre o tráfico humano, bem como a agenda para os meses de janeiro e fevereiro, onde acontecerão as formações nas paróquias e áreas missionárias da Arquidiocese de Manaus.
A equipe fez um momento de confraternização como gratidão ao ano que foi intenso.


Somos humanos, não mercadoria.

Tráfico de Pessoas: Somos humanos, não mercadoria!
Este vídeo trata do tema "Fraternidade e Tráfico Humano", em sintonia com a Campanha da Fraternidade de 2014.
Você pode fazer o pedido em: http://www.mundojovem.com.br/produtos/trafico-de-pessoas-somos-humanos-nao-mercadoria

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Ação de Mobilização nos Postos Avançados de Atendimento ao Migrante na Capital do Amazonas.


No dia 27.12.2013 foi realizada uma Ação de Mobilização dos Postos Avançados de Atendimento Humanizado ao Migrante na Capital - Manaus, na parte da manhã a atividade aconteceu no Porto da CEASA, e na parte da tarde do Terminal Rodoviário de Manaus

Esteve presente a Rede Um Grito Pela Vida e a Equipe que compõe A Secretaria dos Direitos Humanos _ SEJUS. 
Foi um dia de distribuição de material e contato com as milhares de pessoas que passaram pelo porto e terminal rodoviário. 
Uma senhora ao receber o material, falou da importância da prevenção, pois ela foi vitima do tráfico para fins de exploração sexual aos 18 anos de idade, foi levada para o Mato Grosso, onde ficou em carcere privado por dois anos, conseguiu fugir, nunca denunciou pois tinha medo, hoje tem uma linda família e refez sua vida no anonimato, mas quer contribuir para que outras jovens não passem por esta situação.
Roselei Bertoldo



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Vaticano: Papa lembra vítimas das guerras, catástrofes naturais e do tráfico de pessoas

Cidade do Vaticano, 25 dez 2013 (Ecclesia) – O Papa Francisco lembrou hoje no Vaticano todas as vítimas de guerras, catástrofes naturais ou tráfico de pessoas, em particular as crianças – “as vítimas mais frágeis” -, os idosos, as mulheres maltratadas e os doentes.
“Menino de Belém, tocai o coração de todos os que estão envolvidos no tráfico de seres humanos, para que se apercebam da gravidade deste crime contra a humanidade. Voltai o vosso olhar para as inúmeras crianças que são raptadas, feridas e mortas nos conflitos armados e para quantas são transformadas em soldados, privadas da sua infância”, declarou, na tradicional mensagem de Natal, desde a lógia das bênçãos da Basílica de São Pedro, na bênção ‘urbi et orbi’ (à cidade [de Roma] e ao mundo).
O Papa passou em revista os principais conflitos armados da atualidade, começando pela Síria, rezando para que Deus “poupe novos sofrimentos” às populações e as partes “ponham fim a toda a violência e assegurem o acesso à ajuda humanitária”.
“Fico feliz por saber que hoje também se unem a esta nossa súplica pela paz na Síria crentes de diversas confissões religiosas. Nunca percamos a coragem da oração, a coragem de dizer: Senhor, dai a vossa paz à Síria e ao mundo inteiro”, prosseguiu.
Também em relação ao Médio Oriente, o Papa manifestou o seu desejo de que se chegue a “um desfecho feliz” nas negociações de paz entre israelitas e palestinos e recordou o problema dos “atentados” no Iraque, precisamente no dia em que pelo menos 14 pessoas morreram e 30 ficaram feridas após um ataque à porta de uma igreja.
Francisco destacou a situação na República Centro-Africana, “dilacerada por uma espiral de violência e miséria, onde muitas pessoas estão sem casa, sem água nem comida, sem o mínimo para viver”.
A mensagem evocou as “tensões” no Sudão do Sul, que já provocaram vítimas e ameaçam a “convivência pacífica” nesta jovem nação, e a Nigéria, “dilacerada por contínuos ataques”.
A intervenção, em forma de oração, lembrou os cristãos “perseguidos” por causa da sua fé, os deslocados e refugiados, os emigrantes “em busca duma vida digna”.
“Que nunca mais aconteçam tragédias como aquelas a que assistimos este ano, com numerosos mortos em Lampedusa”, pediu.
O Papa criticou a “ganância e a ambição dos homens” que muitas vezes exploram “indiscriminadamente” os recursos do planeta e manifestou solidariedade às vítimas de calamidades naturais, “especialmente o querido povo filipino, gravemente atingido pelo recente tufão”.
Francisco começou por desejar um “feliz Natal”, com votos de paz e de esperança num mundo melhor.
“Deus é paz: peçamos-lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus”, pelas "carícias de Deus", apelou.
"Não tenhamos medo de que o nosso coração se comova, precisamos disso", acrescentou.
O Papa dirigiu depois os seus votos natalícios a todo o mundo, em italiano, incluindo as pessoas que o acompanharam através dos meios de comunicação.
"Neste dia, iluminado pela esperança evangélica que provém da gruta humilde de Belém, invoco os dons natalícios da alegria e da paz para todos: para as crianças e os idosos, para os jovens e as famílias, para os pobres e os marginalizados”, declarou.
Francisco pediu ainda que Jesus “conforte quantos suportam a prova da doença e da tribulação; sustente aqueles que se dedicam ao serviço dos irmãos mais necessitados”.
“Feliz Natal para todos”, concluiu, perante dezenas de milhares de pessoas.
OC

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Formação sobre Campanha da Fraternidade - Tráfico Humano, Diocese do Alto Solimões.AM.

Encontro de Formação sobre a Campanha da Fraternidade na Diocese Do Alto Solimões, com o tema Fraternidade e Tráfico Humano. 
Em preparação a Campanha da Fraternidade 2014 a Diocese do Alto Solimões realizou a primeira capacitação para lideranças sobre o tema da CF 2014. Participaram diversas lideranças das paróquias, instituições e dos países vizinhos, Colômbia e Perú. Foi ampliada a equipe das três Fronteiras que terá a responsabilidade de coordenar e pensar as ações coletivas da Campanha. Ir. Rose Bertoldo



Formação Fraternidade e Tráfico Humano. Diocese de Roraima.

Formação sobre Fraternidade e Tráfico Humano na Diocese de Roraima-Boa Vista nos dias 26 e 27 de outubro de 2013. Com a presença de lideranças, Padres, Vida Religiosa da Diocese aconteceu a primeira capacitação sobre a Campanha da Fraternidade que trabalho o tema tráfico de pessoas. Na parte da manhã foi trabalhado a realidade do tráfico de pessoas no mundo e no Brasil e a realidade no Estado de Roraima, na tarte da tarde a partir do olhar da realidade a iluminação bíblico-teológico, no segundo dia o grupo trabalhou o agir, construindo caminhos para trabalhar o tema nos diversos espaços de missão. Ir. Rose Bertoldo






quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Cronista: Eduardo Gomes Nogueira ( Aluno do 7º período de Jornalismo do Uninorte, Manaus, AM )

CRÔNICA
Progresso nem sempre resulta em benefícios reais
Cronista: Eduardo Gomes Nogueira ( Aluno do 7º período de Jornalismo do Uninorte )
Podemos perceber que a humanidade passou por mudanças profundas quando analisamos os registros históricos que mostram as origens do homem como caçador, coletor e nômade. Daí, passando pelas Idades Antiga, Média e Moderna, ele adquiriu cada vez mais conhecimento científico, social e tecnológico, desenvolvendo habilidades que lhe permitiram não só dominar o espaço onde vive, utilizando de maneira racional e inteligente os recursos naturais, mas também habilidades e conhecimento que permitiram a ele viver de forma socialmente aceitável entre seus semelhantes.
Esse processo de evolução atinge seu apogeu na Idade Contemporânea, ou seja, os dias atuais, onde vemos um elevadíssimo progresso na ciência e tecnologia, o que permite a muitos de nós termos certos confortos, como medicina mais eficiente, meios de transporte e comunicação bem mais rápidos, isso se comparados ao modo vida das pessoas nas idades anteriores.
Mas  o que dizer do avanço social? Será que o conhecimento obtido nesse campo proporciona uma vida satisfatória às pessoas? A antropologia, a sociologia, a filosofia, as ciências sociais e políticas, bem como a religião conseguiram convencer os humanos a viver com respeito, paz, união e felicidade entre si?
Apesar das contribuições valiosas que as ciências humanas deram e dão, podemos ver que a maior parte da humanidade ainda não evoluiu no aspecto social. Por buscarem satisfazer apenas seus próprios interesses, os homens ainda continuam cometendo grandes atrocidades uns contra os outros.
Uma das mazelas sociais que ainda é muito comum nos nossos dias é o tráfico humano. Podemos destacar dentro desta prática abominável o tráfico de mulheres que, iludidas por aliciadores inescrupulosos, são convencidas a viajar para outros países com a promessa de ganhar mais dinheiro e ter uma vida melhor. Lá chegando, são obrigadas ou coagidas a se prostituir, transformadas em escravas sexuais.
Infelizmente, a nossa região amazônica é um dos principais focos deste crime hediondo. Valendo-se da ingenuidade das moças, principalmente de municípios do interior dos estados da região, os criminosos, alguns estrangeiros, recrutam essas moças e as encaminham preferencialmente para a Europa e América do Norte. Lá, os passaportes e documentos delas são confiscados e, não tendo alternativa por estarem em situação ilegal no país de destino, têm de se submeter à prostituição em boates, cassinos e clubes de streap tease, ganhando péssimos salários e sendo maltratadas.

A sociedade brasileira e a mundial têm de saber a respeito disso, pois só o conhecimento permite um combate mais eficaz contra esse abuso. As ações governamentais são pautadas em cima de dados como os que foram apresentados acima. Temos de ficar de olho e denunciar quaisquer atitudes suspeitas. Espero que as instituições governamentais tenham êxito no combate a esse e a outros crimes terríveis.

Há que pôr cobro ao tráfico de pessoas, uma vergonha, crime contra a humanidade: Papa Francisco a grupo de novos Embaixadores

“O tráfico de pessoas é um crime contra a humanidade. Temos que unir forças para libertar as vítimas e para deter este crime cada vez mais agressivo” – vigorosa denúncia e apelo do Papa Francisco, ao receber, nesta quinta-feira de manhã, 17 novos Embaixadores junto da Santa Sé que lhe apresentaram as respectivas Cartas Credenciais. Oito destes diplomatas provêm do continente africano: Argélia, Burkina Faso, Burundi, Cabo Verde, Lesoto, Serra Leoa, Uganda e Zâmbia. Cinco representam países europeus: Dinamarca, Islândia, Malta, Noruega e Suécia. Os restantes são da Ásia e Médio Oriente: Jordânia, Kuwait, Paquistão, e ainda o Representante Permanente da Palestina. Uma vez que não residem permanentemente em Roma, foram recebidos conjuntamente, como manda o protocolo.

O Papa começou por se congratular com as múltiplas iniciativas que a comunidade internacional mantêm para promover a paz, o diálogo, as relações culturais, políticas e económicas, e para socorrer as populações a braços com diversas dificuldades. E foi neste contexto que propôs à consideração de todos uma questão que – disse – o “preocupa muito e que ameaça a dignidade das pessoas – o tráfico de seres humanos”:

“É uma verdadeira forma de escravatura, infelizmente cada vez mais difundida, que afeta todos os países, mesmo os mais desenvolvidos, e que toca as pessoas mais vulneráveis da sociedade: mulheres e raparigas, crianças, pessoas com deficiência, os mais pobres e quem provém de situações de desagregação familiar e social”.

Trata-se de pessoas em que “nós, cristãos, reconhecemos o rosto de Jesus Cristo, que se identificou com os mais pequenos e necessitados”. E “outros que não têm como referência uma fé religiosa, em nome da humanidade comum partilham a compaixão pelos seus sofrimentos, com o empenho de os libertar e de aliviar as suas feridas”. Todos se devem unir para enfrentar a situação, libertar estas pessoas e “pôr cobro a este horrível comércio”, que envolve milhões de vítimas de trabalho forçado, da escravatura de pessoas como mão de obra ou para exploração sexual”.

“Isto não pode continuar… Não se pode permitir que estas mulheres, estes homens, estas crianças, sejam tratados como objectos, enganados, violentados, muitas vezes vendidos repetidamente, com diversas finalidades, e finalmente mortos ou pelo menos destruídos no corpo e no espírito, acabando postos de lado e abandonados. É uma vergonha”.

Sublinhando que se trata de um crime contra a humanidade, o Papa pediu que se unam esforços, para deter este crime que, para além das pessoas, ameaça os próprios valores fundantes da sociedade e mesmo a segurança e a justiça internacionais, assim como a economia, o tecido familiar e a rede das relações em sociedade.

Foto: Embaixadores recebidos por Papa Francisco (foto de arquivo)

O novo Embaixador de Cabo Verde junto da Santa Sé, Antero Veira, acumula este cargo com o de Ministro do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território

 

Vatican Radio - All the contents on this site are copyrighted ©.



Seminário Sobre Mulheres, Violência e Tráfico de Pessoas num contexto de mega eventos. Porto Alegre- RS

“Mulheres, Violência e Tráfico de pessoas num contexto de mega eventos”
              Em parcerias com a Caritas RS, Movimento das Mulheres Camponesas MMC, a Rede Um grito pela Vida, realizou no dia 29 /11, no auditório da Livraria Paulinas, em Porto Alegre/RS, o seminário Estadual  com o tema “Mulheres, Violência e Tráfico de pessoas num contexto de megaeventos”. O mesmo teve como objetivo refletir sobre a gravidade da realidade de violência e tráfico de mulheres na sociedade contemporânea, em sintonia com a campanha de 16 dias de enfrentamento a violência contra mulher, a Campanha da fraternidade 2014 que versará sobre o tráfico de pessoas e o contexto de mega eventos que já vive o país na preparação para a copa do mundo no próximo.
             O evento reuniu e reuniu mais de 80 pessoas, representantes de mais de vintes entidades e organismos das igrejas, sociedade civil e estado. Com um painel temático a seminário abordou o tema da violência e tráfico de pessoas nos seus aspectos teóricos e vivenciais, como temas realidades que atinge milhares de pessoas em todo o mundo, principalmente as populações empobrecidas, as mulheres, juventudes e crianças.
Para a Organização das Nações Unidas (ONU), o número de pessoas traficadas no planeta atinge a casa dos quatro milhões anuais. E o Brasil é um dos países campeões no mundo em relação ao fornecimento de pessoas, particularmente mulheres para o tráfico internacional. Estima-se que 700 mil mulheres e crianças passam todos os anos pelas fronteiras internacionais do tráfico humano. É o País responsável por 15% das pessoas exportadas da América Latina para a Europa.
               Sobre o Tráfico de Pessoas, Irmã Eurides A. Oliveira, coordenadora da Rede um grito pela vida afirmou, que o Trafico de pessoas,  particularmente o tráfico de mulheres é um fenômeno abominável, considerado a escravidão moderna de nossos dias. É uma realidade de múltiplas faces, fruto de um projeto de desenvolvimento pautado pelo lucro e pelo privilégios de uns poucos, que abusam e aproveitam as situações de vulnerabilidades das pessoas, para enganar, iludir, dominar, traficar e violentar. E, a realização da copa do mundo no Brasil, tende  a fazer com que o tráfico, assim como a exploração sexual aumente. Isso ocorreu nos países da Alemanha e da África do sul que sediaram as copas anteriores e no Brasil com certeza não será diferente, se a sociedade não se preparar para enfrentar e alertar a população destes riscos.  Precisamos nos apropriar mais desse tema, para ajudar a combatê-lo. E com este  proposito irmã Eurides, comunicou e apresentou o Slogan e e proposta  da Campanha jogue a favor da vida, que a Rede esta organizando e convidou o grupo a somar com esta iniciativa.
          Acerca da Violencia contra as mulheres a irmã Carmen Lorenzoni, falou sobre o trabalho que o MMC (Movimento das Mulheres Camponesas), realiza para enfrentar a realidade da violência contra a mulher e afirmou: Falar de violência, é falar da vida de homens e mulheres. Muitas vezes, de uma vida sofrida, matada. É um tema duro e difícil que nos provoca profundamente, pois normalmente quem mais sofre são as mulheres, principalmente no campo. No enfrentamento da violência é preciso cumplicidade e solidariedade das mulheres e dos homens que também abominam estas práticas. As desigualdades de Gênero, naturalizadas pela cultura e moral precisa ser desconstruída, elas são pilares de perpetuação da violência de gênero.
          Pelo Núcleo de Enfrentamento ao tráfico de pessoas no Estado do RS  a Coordenadora  Alexia Meurer, falou sobre as ações que estão sendo para combater o tráfico de pessoas no estado, afirmando que o núcleo foi recentemente criado e esta pouco a pouco construindo sua agenda de atividade;  apresentou o II plano de Enfrentamento ao tráfico de pessoas e a  campanha Coração Azul que é uma iniciativa do Escritório das Nações Unidas Sobre Drogas e Crimes (UNODC) voltada para conscientização sobre o Tráfico de Pessoas no intuito de sensibilizar a sociedade e e inspirar aqueles que detêm poder de decisão a promover as mudanças necessárias para acabar com esse crime”.
               Durante o seminário, foram ainda, apresentadas algumas experiências de enfrentamento  ao tráfico humano e a violência contra mulher, como a da Cáritas Arquidiocesana de Passo Fundo que trabalha com mulheres, a cerca de 30 anos com formação e acesso aos direitos das mulheres. As “Mulheres da Paz”, de Canoas, projeto do governo federal assumido pela secretaria de políticas publicas para Mulheres, O trabalho transforma mulheres em lideranças comunitárias para atuar numa perspectiva feminista, de gênero e com articulação com a comunidade local no enfrentamento a violência e criação da cultura da paz.. e experiência da “Rede Grito pela Vida” no enfrentamento ao  trabalha o tráfico humano em todas as regiões do país, com diferentes ações de prevenção, mobilização e incidência politica e por última a experiência aas “Promotoras Legais”, de São Leopoldo, que trabalha a formação e capacitação de mulheres empobrecidos, compartilhando informações sobre os canais de acesso aos direitos.



terça-feira, 19 de novembro de 2013

VI Encontro da Rede Um Grito Pela Vida - Brasilia.

Nos dias 15 a 17 de novembro representações dos núcleos da Rede Um Grito Pela Vida do Brasil  estiveram reunidos com o objetivo:
Compartilhar a caminhada dos núcleos por Regiões e das Redes;
Fortalecer a articulação e atuação em REDES de enfrentamento ao tráfico de pessoas;
Lançar o livro "Um Grito Pela Vida";
Realizar um painel temático sobre nosso compromisso de enfrentar o tráfico de pessoas;
Lançar e planejar as ações da campanha "Jogue em favor da Vida"que será realizada antes e durante a copa de 2014;
Projetar a continuidade da caminhada da Rede "Um Grito Pela Vida".
O encontro contou com 62 participantes representantes dos grupos de todo o Brasil, foi um tempo forte de partilha das ações realizadas nos núcleos, projeção da caminhada, onde coletivamente somamos forças para o enfrentamento ao tráfico humano.
Contamos com a participação das Redes internacionais, Rede Kawsay, Rede Ramá, Rede Renate e Talitha Kum, muito contribuíram com a partilha de suas experiencia na certeza de ampliarmos a rede internacional de enfrentamento ao tráfico de pessoas.
O Lançamento do Livro "Um Grito Pela Vida" que traz profundos textos e experiências que contribuirão com a vida da Rede.
E o lançamento da Campanha da Copa 2014 "Jogue a favor da Vida" que será trabalhado a prevenção ao tráfico de pessoas em tempo de copa do mundo.




sexta-feira, 15 de novembro de 2013

VI Encontro Nacional da Rede Um Grito Pela Vida.

 Teve inicio na manhã do dia 15.11.2013 o VI Encontro da Rede Um  Grito Pela Vida. Religiosas, Religiosos vindos de todo Brasil, um grupo de 62 participantes. 
Contamos com a presença de religiosas representantes das Redes internacionais Talitha Kum, Renate, Kawsay e Rede Remá.
Celebração de abertura do encontro coordenada pelo núcleo de Salvador.
Fortalecendo a Rede Um Grito Pela Vida.
Sementes que se espalham e dão vida.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

I Encontro das coordenações das Redes em América Latina e Caribe

No dia 14 de Novembro, em Brasília - DF,  reuniram-se as três coordenações das Redes da Vida Consagrada da America Latina comprometidas no enfrentamento ao tráfico de pessoas: Rede Um Grito pela Vida (Brasil), Red Kawsay (Cone Sul) e Red Ramá (America Central).  O encontro contou com a participação da coordenadora da comissão contra o tráfico de pessoas da CLAR (Conferência Latino Americana dos Religiosos) e uma representante de Talitha Kum, a rede internacional da Vida Consagrada comprometida no enfrentamento ao tráfico de pessoas.
Objetivo do encontro foi o conhecimento reciproco, a partilha e o fortalecimento da atuação em Rede.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Escravidão atinge 29 milhões de trabalhadores em todo o mundo

http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2013/11/escravidao-atinge-29-milhoes-de-trabalhadores-em-todo-o-mundo.html


Um relatório recém-divulgado pela fundação Walk Free aponta que 29 milhões de pessoas no mundo ainda trabalham sob o regime de escravidão. Segundo o diretor da organização Anti-Slavery International, três fatores contribuem para o problema. “O primeiro deles é a vulnerabilidade. Algumas vezes, significa que você é apenas mais fraco do que o outro, que quer explorá-lo. A segunda questão é a exclusão social. Os grupos que tendem a ser escravos são discriminados na sociedade. O terceiro fracasso tem a ver com o Estado de Direito. O Estado é responsável por proteger as pessoas e, quando os governos falham, há uma grande chance de os três fatores se unirem e haver escravidão”, aponta Aidan McQuade.
Para o cientista político Leonardo Sakamoto, que é coordenador da ONG Repórter Brasil e membro da Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, a escravidão ocorre quando a dignidade ou a liberdade são aviltadas. “Você também tem trabalho escravo quando viola as condições. Condição degradante é aquilo que rompe o limite da dignidade. São negadas a essas pessoas condições mínimas mais fundamentais, colocando em risco a saúde e a vida”, diz.
Mauritânia lidera ranking da escravidão
A Mauritânia ocupa o primeiro lugar do ranking de escravidão global, que analisou 162 países e leva em consideração o casamento infantil e os níveis de tráfico humano. HaitiPaquistão e Índia vêm em seguida. Lucrativa, a escravidão moderna movimenta mais de US$ 32 bilhões, segundo a Organização Internacional do Trabalho. Estimativas da OIT também apontam que há 5,5 milhões de crianças escravas no mundo.
No Brasil, 125 anos após a abolição da escravatura, milhares de pessoas ainda são submetidas a trabalhos em situação degradante. A análise do relatório da fundação Walk Free indica que a escravidão contemporânea no país aparece principalmente em plantações de cana-de-açúcar, na exploração madeireira e na mineração. Nas grandes metrópoles, como São Paulo, a exploração é de mão-de-obra de confecções de roupas, principalmente de bolivianos e paraguaios.
No entanto, há avanço na erradicação da prática. A primeira política de contenção do trabalho escravo é de 1995 e, de lá para cá, 45 mil pessoas foram libertadas de locais onde havia exploração desumana da mão de obra. “Um governo reconhecer a persistência desse tipo de prática, mesmo com todos os problemas econômicos que isso pode causar, é o primeiro elemento forte no combate”, avalia Sakamoto.
Brasil quer endurecer a lei
Tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional para endurecer a lei. “Ela é chamada de PEC do Trabalho Escravo e prevê o confisco de imóveis em que o trabalho escravo for encontrado e sua destinação para reforma agrária ou para o uso habitacional urbano”, explica o cientista político. Ele destaca que o Brasil é citado globalmente como exemplo porque trabalha no tripé de combate à impunidade, à pobreza e à ganância.
Neste ano, os Estados Unidos celebram os 150 anos do fim da escravidão. A data está sendo usada por organizações de defesa dos direitos humanos para lembrar a presença de novas formas de escravidão. O Departamento de Estado Americano calcula que o tráfico de pessoas leva 18 mil vítimas ao país anualmente.
O historiador Eric Foner, da Columbia University, estuda a história da escravidão americana. “No passado, ela era legalizada, reconhecida como instituição. Era escancarada, lícita e muito importante, a base da economia da época. Não é o que acontece hoje. A escravidão dos dias de hoje não é a base da ordem econômica”, diferencia.

Seminário de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas - Brasilia, novembro de 2013.


Nos dias 07 a 09 de novembro de 2013 foi realizado o Seminário: O papel da Sociedade e da Igreja no Enfrentamento ao Tráfico Humano, com o objetivo de contribuir para uma compreensão integral do tráfico humano (raízes e causas);

Subsidiar as ações dos agentes multiplicadores/as, com informações e ferramentas;

Apoiar a mobilização das comunidades para a vigilância e o enfrentamento. 

O Seminário contou com 70 pessoas, vindas de 20 Estados, foi um tempo forte de estudos, trocas de experiencias e construção de metodologias para o trabalho em Rede.

Tráfico de pessoas é uma prática de violação de direitos humanos, presente nos dias de hoje que se expressa nas modalidades do Trabalho escravo urbano e rural, da exploração sexual, no tráfico da venda órgãos, na adoção ilegal, dentre outros

 



Porto Alegre,RS Realiza Seminário Estadual.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Novas formas de escravatura: Conferência internacional no Vaticano

Iniciou hoje, 2 de Novembro, na Casina Pio IV, na Cidade do Vaticano, uma Conferência internacional sobre o tráfico de seres humanos, conferência organizada pela Pontifícia Academia das Ciências Sociais, juntamente com a Federação Mundial das Associações Médicas Católicas.
A situação actual do tráfico de seres humanos e a escravatura moderna, bem como um plano de acção para combatê-las - são os dois principais aspectos no centro desta conferência.

A Organização Internacional do Trabalho estima que entre 2002 e 2010, foram cerca de 21 milhões as vítimas do trabalho forçado, entendido também como exploração sexual. Todos os anos cerca de dois milhões de pessoas são vítimas de tráfico sexual, 60% das quais são meninas, enquanto que o tráfico de órgãos humanos atinge quase os 11% do total. Quem recorda estes dados horripilantes é Dom Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, numa entrevista à colega da RV Francesca Sabatinelli.

R. - Na origem de tudo está o Santo Padre que já tinha conhecimento destes problemas. Logo após a sua eleição, recebeu-nos em audiência, nós da Pontifícia Academia das Ciências Sociais. Na carta de agradecimento que lhe foi enviada mais tarde, os conselheiros também tinham perguntado se desejava que nos ocupássemos de algo em particular e ele, imediatamente, com o mesmo envelope respondeu: "Marcelo, quero que se estude o problema das novas formas de escravatura e do tráfico de pessoas, incluindo o problema da venda de órgãos". Assim, a Academia começou a trabalhar. Vimos, porém, que era necessário envolver os médicos e por isso chamámos os médicos católicos, porque o presidente da Federação Internacional das Associações Médicas Católicas, José María Simón de Castelvì, quis colaborar; e em seguida, também a Academia de Ciências, porque as soluções também podem ser de carácter científico. Assim nasceu a iniciativa.

O fenómeno do tráfico, ou escravidão moderna, é analisado sob quais aspectos?

R. – Em todos os aspectos. O que nós queremos é perceber a real dimensão do fenómeno, que um pouco já se sabe, mas contudo queremos ter dados mais precisos. Queremos também alcançar uma ideia comum para a Igreja, para as Conferências Episcopais. Existem Conferências Episcopais, como a inglesa por exemplo, ou a de Guatemala, que elaboraram alguns documentos, mas creio que a Igreja como um todo não tem suficiente consciência do problema. E depois, queremos encontrar orientações concretas: pedimos a todos os convidados, aos observadores bem como aos relatores, para nos enviarem propostas concretas, e agora estamos a avaliá-las. Tem uma muito interessante apresentada por um médico, que sugere para preservar o DNA de crianças desaparecidas, juntamente com o dos pais que denunciam o seu desaparecimento, e confrontá-lo: de facto, a primeira coisa que os traficantes fazem é cancelar as suas impressões digitais.

Sabemos que na origem do tráfico, estão as condições de extrema pobreza, guerras, conflitos internos ... Há uma parte do mundo que explora tudo isso ...

R. – E vamos dizer isso . Começando por aqueles mesmos Países que têm leis que fazem um jogo duplo : por um lado, falam de vida humana, por outro lado as suas próprias instituições não querem ver este problema, ou até mesmo o favorecem . Por exemplo, peguemos naquilo que aconteceu na Bósnia , que envolveu alguns americanos, e não só, num tráfico de escravas, denunciado por uma mulher americana, posteriormente demitida por causa disto por uma subsidiária da ONU (o caso de Kathryn Bolkovac, N.d.R.). Por este motivo, pareceu-nos oportuno envolver os médicos, porque também eles estão comprometidos, as instituições que deveriam defender são as mais afectadas . Portanto, por um lado, estamos diante de uma situação dramática, não se quer falar deste problema, não se quer ver o que está a acontecer; por outro lado faz-se o jogo duplo. Depois, estão aqueles Países que reconhecem a prostituição como um trabalho: também eles criam o mercado do tráfico. Na Alemanha, por exemplo, este problema é terrível. Mas não apenas na Alemanha, também em outros Países do Norte. Portanto, o Estado por um lado diz que se deve intervir, enquanto que por outro faz lucros. O Papa, desde o tempo em que ainda era arcebispo, tinha já intuído este grave problema social que atinge precisamente a alma do mundo social, das ciências sociais. Nós ficámos impressionados por não termos entendido antes.

Neste caso, com as actas desta conferência, o que a Igreja quer fazer?

R. – Nós queremos fazer este primeiro encontro; depois faremos outros, mas este é já um primeiro passo para irmos ao encontro dos desejos do Papa. Tentaremos fazer o melhor possível, não temos a presunção de ter encontrado a solução do problema, mas pelo menos é um passo em frente. Pedimos a Santa Sé para não aderir ainda ao Protocolo de Palermo (Protocolo das Nações Unidas sobre a prevenção, supressão e perseguição do tráfico de seres humanos, especialmente mulheres e crianças (N.d.R.), e ainda não tivemos resposta, pediram-no os próprios nossos académicos. Isso quer dizer que ainda não há uma política comum. Certamente o Papa quer pôr clareza nestas coisas. Deve-se fazer um elogio ao Papa: com a sua sensibilidade levou a nós da Academia - que discutíamos de coisas um pouco abstractas - à estrada concreta da realidade desta globalização que traz consigo aspectos terríveis, entre os quais - como ele mesmo disse em Lampedusa - a indiferença. As pessoas são vendidas, mas ninguém se importa da pessoa humana, a única coisa que importa é o dinheiro, ou melhor: ganha-se dinheiro com as pessoas como se fazia há tempos com a escravidão, e de certa maneira é ainda pior! Sobretudo se consideramos o aspecto sexual, em que estão envolvidos e comprometidos meninas e também meninos. E’ uma das coisas mais trágicas do mundo global, juntamente com a imigração, cujos efeitos vimos em Lampedusa.


domingo, 3 de novembro de 2013

Primeiro Encontro da Igreja Católica na Amazônia legal

Com a coordenação da Comissão Episcopal para a Amazônia, presidida pelo Cardeal Cláudio Hummes, OFM realizou-se primeiro encontro dos seis regionais da CNBB que formam a Amazônia Legal nos dias 28 a 31.10.2013. Abrange 61% do território nacional. Estiveram presente 57 Bispos e Arcebispos, padres, religiosas/os coordenadores/as de pastoral, leigas e leigos comprometidos com a igreja.




Foi realizado entre diversos temas o painel sobre tráfico de pessoas, quilombolas e povos indígenas, Irmã Henriqueta e Irmã Roselei Bertoldo, integrante da Rede Um Grito Pela Vida, Manaus/Roraima, trabalharam  a temática do tráfico humano, chamando atenção para a grande problemática na região amazônica e a necessidade de enquanto igreja trabalharmos na sensibilização e prevenção a este crime, que tem como pilares: a miséria, ganancia e impunidade, se não tornarmos este crime que atua na clandestinidade, visível, será muito dificil combate-lo e fazer com que as pessoas denunciem. Um apelo foi feito a todos os bispos para que possam contribuir efetivamente na campanha da fraternidade que trás a temática: Fraternidade e Tráfico Humano.