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quarta-feira, 12 de março de 2014

TRÁFICO DE PESSOAS: nos últimos 15 anos, apenas 5 casos foram julgados no Ceará

Crime é considerado um dos mais invisíveis e complexos de se investigar. Falta de conhecimento da sociedade sobre o assunto e frequente recusa das vítimas em cooperar são dois dos fatores responsáveis. A Campanha da Fraternidade deste ano alerta para o problema e investe na prevenção.
   Em 1998, a cearense Silvania Cleide Barros Vasconcelos foi condenada pela Justiça Federal a quatro anos de reclusão por traficar mulheres para o estrangeiro. No inquérito, duas vítimas relatam como foram abordadas por ela na Beira Mar, em Fortaleza, e receberam convites para trabalharem como garçonetes no restaurante de seu suposto marido em Paris. As duas fortalezenses viajaram juntas, com todas as despesas pagas por Silvania, incluídos os custos com a emissão dos passaportes e passagens áreas. Mas quando chegaram à capital francesa, foram encaminhadas a uma casa de prostituição em Tel-Aviv, Israel. A fuga de uma das mulheres foi o que revelou o esquema.

   A cearense foi condenada. No entanto, outras dificuldades na investigação, incluindo até a escassez de tradutores no Ceará da língua hebráica, inviabilizaram a condenação dos estrangeiros envolvidos no crime, a exemplo do suposto marido de Silvania, um israelense que trabalhava como segurança na casa de prostituição em Tel-Aviv e que teve seu crime prescrito em 2009.
   De 1998 pra cá, apenas outros 4 casos foram julgados pela Justiça Federal no estado, todos com características parecidas de aliciamento e exploração sexual em território estrangeiro.
RafaelSalvador - ESPLAR 2- Boletim Copa e as mulheres - InfográficoInfográfico retirado do informativo "Copa 2014 - O que as mulheres têm a ver com isso?", do ESPLAR (arte: Rafael Salvador) 
 “É um número baixo”, constata Nilce Cunha, procuradora da República no Ceará e integrante do Comitê Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. “Todo mundo sabe que existe, mas não dá processo porque não têm informações consistentes, não tem aquela denúncia formal com dados suficientes pra polícia investigar e apurar. Sempre se atribui isso à falta de informação. A rede de enfretamento, que é composta pelos órgão públicos e sociedade civil, dá informações de que existem moças, mulheres, trans(sexuais), na ilusão de que vão conseguir ganhar muito dinheiro e ninguém sabe o que acontece com elas lá. Mas não existindo as denúncias, não existe processo.”

domingo, 9 de março de 2014

Igreja e Estado se dão as mãos quando o assunto é ‘ser humano’


ESCRITO POR CRB COMUNICAÇÃO LIGADO . PUBLICADO EM DESTAQUE


 Lançamento da CF 2014  confirma unidade entre Igreja e Estado no combate ao Tráfico de Seres Humanos que gera cerca de 32 bilhões de dólares ao ano e dizima milhares de famílias brasileiras. 
Por Rosinha Martins| 06.03.14| Crime sutil e de difícil combate o Tráfico de Pessoas tem sensibilizado a Igreja e a sociedade que juntas buscam formas eficazes de enfrentamento. Uma Coletiva de Imprensa na sede da Conferência Nacional dos Bispos Brasil (CNBB), lançou na tarde desta quarta, 5, em Brasília, a Campanha da Fraternidade, que tem como tema o Tráfico de Seres Humanos. O evento reuniu membros da Igreja e do governo, tais como o secretário Geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, a Secretária Executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), a pastora Romi Márcia Bencke, além do Dr. Marcello Lavènere Machado, representante do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
“O Tráfico humano é o cerceamento da liberdade e o desprezo da dignidade dos filhos e filhas de Deus. A Campanha tem como objeto identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciar a violação da liberdade e da liberdade humana”, disse dom Leonardo Steiner. Segundo o bispo, “o tráfico viola a grandeza de filhos e filhas, destrói a imagem de Deus, cerceia a liberdade dos que foram resgatados por Cristo. A sociedade, o Estado, as comunidades, as famílias, as pessoas certamente despertarão da 'globalização da indiferença' em relação ao tráfico humano. Para dom Leonardo, é estarrecedor o aumenta cada vez mais o tráfico de homens para o uso sexual”.
Dom Leonardo destacou, ainda, que as consequências mais fortes do Tráfico Humano são o trabalho escravo, a mercadoria sexual e trabalhos forçados em pequenas fábricas.
O secretário agradeceu a presença do presidente Nacional da Conferência dos Religiosos do Brasil, Irmão Paulo Petry e frisou que é de fundamental importância  trabalho que as Religiosas e Religiosos realizam no combate ao Tráfico de Pessoas.
Presente no evento, Irmão Paulo Petry convidou os Consagrados e Consagradas a reforçarem a Rede Um Grito pela Vida e destacou a importância da atuação masculina na luta pela prevenção dos tráfico. “Esperamos que a Vida Religiosa masculina se envolva com a Campanha porque como acenou dom Leonardo, o tráfico não é uma problemática que envolve somente mulheres”. Para Irmão Paulo é importante que a Vida Religiosa trabalhe em parceria e se familiarize com o texto-base da CF, a fim de não fazer denúncia na base de achismos e para se sensibilizar com a situação de famílias que têm filhos e filhas nessa situação. “Ás vezes se instaura o medo no coração dos religiosos e não queremos fazer a denúncia quando necessária. Que não tenhamos medo”, concluiu.
A secretária Executiva do CONIC, a pastora Romi Márcia Bencke, disse que é preciso falar de maneira bastante aberta sobre um tema tão complexo como o tráfico de pessoas, pois envolve grupos econômicos e sociais. “Somos desafiados a refletir de maneira honesta e franca sobre a maneira como estabelecemos as nossas relações com a sociedade, com a economia, com o trabalho, as formas como estabelecemos as relações de poder. O lema bíblico é um estimulador interessante para a reflexão: de que liberdade estamos falando? De uma liberdade com responsabilidade e garantir que todos tenham direito à vida digna”, afirmou.
A Pastora disse, também, que Igrejas Evangélicas planejam várias ações durante a Copa do Mundo oferecendo suporte espiritual e de combate à exploração nas cidades-sedes do evento.
O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, informou que o governo federal já desenvolve uma série de iniciativas que envolve a Polícia Federal, a Secretaria de Direitos Humanos, Secretaria de Direitos das Mulheres, entre outros. “Todos nós temos atuado seja num conjunto de ações policiais integradas, seja num conjunto de denúncias e agora temos essa oportunidade de junção de forças concentradas através da Campanha da Fraternidade”, observou o Ministro.
Segundo Cardoso, a Campanha da Fraternidade favorecerá a formação de um comitê que atuará na busca do aprimoramento das políticas do Estado, receber sugestões e ao mesmo tempo enraizar atuações na sociedade. “É a nossa grande meta contra um crime que tem que ser combatido com o máximo de rigor”, justificou.
O Ministro afirmou,  também,  que os inquéritos abertos sobre o tráfico de seres humanos ainda é pequeno e o crime não é combatido por não vir à tona. “As vítimas têm vergonha de falar, os familiares não denunciam e às vezes as pessoas imaginam ser ajudadas por aqueles que são verdadeiros mentores e organizadores do delito. Precisamos conscientizar a sociedade que esse tipo de situação é inaceitável, que seres humanos não podem ser tratados como objetos e, portanto, o estado e a sociedade precisam enfrentá-lo cada vez com mais rigor”, finalizou.
Para o representante do Conselho Nacional da OAB, Dr. Marcello Lavènere Machado, a sociedade brasileira tem uma dívida com os africanos pelo período da escravidão e pelas consequências deste tráfico desumano que ainda ecoa no cotidiano dos negros no Brasil. “Devemos aos nossos irmãos africanos um pedido de perdão por tudo o quanto esse período significou e ainda hoje de alguma forma significa”. Para ele, sistemas de escravidão no Brasil, são verdadeiros campos de concentração. “São campos de concentração todas as nossas penitenciárias, por exemplo. Em cada cidade desse país temos um campo de concentração que atinge os mais vulneráveis e entre eles estão os nossos irmãos africanos”, argumentou.
Lavènere informou ainda que em todos os estados da Federação as Comissões de Direitos Humanos da OAB desenvolvem ações com a finalidade de ajudar a sociedade na denúncia de qualquer tipo de escravidão ou exploração de pessoas.
A Constituição Federal, em vigor deste 1988, assegura a relação de parceria, de aliança entre a Igreja e o Estado, quando se trata de colaboração em vista do interesse público.
Segundo Dr. Marcello Lavènere Machado, a Igreja exerce um papel fundamental e decisivo na história da sociedade brasileira. “A CNBB como órgão representativo da Igreja tem dado uma ajuda muito grande, assim como na ditatura militar que contou com a presença ativa de dom Paulo Arns e a Campanha ‘fora Collor’ pelo impeachment”, recordou.
Lavènere acrescentou que “o êxito da promulgação da lei 9840 contra o abuso de autoridade e a influência do poder econômico nas eleições, a coleta das assinaturas nas paróquias, recomendada pela CNBB que produziu um milhão e trezentas mil assinaturas e favoreceu a aprovação da Lei da Ficha Limpa”,  se deve à atuação maciça da Igreja que atinge lugares onde o Estado muitas vezes não consegue chegar.
O papa Francisco enviou mensagem por ocasião da abertura da Campanha no Brasil. O texto foi lido pelo secretário executivo da CF 2014, padre Luiz Carlos Dias. Confira aqui, a íntegra da mensagem do papa.
Fonte: CRB Nacional
Fonte: http://www.crbnacional.org.br/site/index.php/noticias/destaque/1148-igreja-e-estado-se-dao-as-maos-quando-o-assunto-e-ser-humano

Contatos atualizados da Rede


sábado, 8 de março de 2014

II Encontro das articuladoras das redes nacionais de enfrentamento ao tráfico de pessoas

A Conferência da Vida Religiosa na America Latina (CLAR) realiza o II encontro com as articuladoras das

redes nacionais de enfrentamento ao tráfico de pessoas na America Latina e Caribe, em Bogotá (Colômbia) nos dias de 7 a 9 de março de 2014.
Participam as articuladoras da Rede Um Grito pela Vida - Brasil, Ir. Eurides Alves de Oliveira, ICM e ir. Gabriella Bottani, IMC; de Red kawsay, Ir. Maria Silvia Olivera, SSM (Argentina) e ir. Matilde Isabel Chávez Figueroa, RBP (Perú);  Red Ramá, Países do Centro America, H. Carmen Gibja Izquierdo, SAC; pela CLAR ir. Mirta Vissani, HdC secretaria responsável pela comissão “Trata CLAR”.
O encontro tem o objetivo de conhecer e aprofundar o caminho das três redes da Vida Religiosa Consagrada no enfrentamento ao tráfico de pessoas na America Latina e Caribe, visando o fortalecimento de processos coletivos e programação de ações de conjunto.
O primeiro dia foi marcado por uma rica partilha da preparação previa, que teve a finalidade de elencar problemáticas convergentes, assim como pistas de ação comum para avançar na missão de enfrentamento ao tráfico de pessoas. Contamos ainda com a explanação de uma representante da Organização Internacional das Migrações (OIM) Colômbia, sobre migração e fronteiras.
Nos próximos dois dias de encontro seguirá o trabalho de discernimento e sistematização para chegarmos a parâmetros comuns sobre a identidade e missão desta comissão articuladora das redes do continente e a um planejamento comum. Tudo isto fundamentado pela mística do ícone de Betânia Casa do encontro, comunidade de amor e coração da humanidade. 

Mensagem - Dia Internacional da Mulher

“Pensar é preciso para que o grito possa ser ouvido com mais acuidade e responsabilidade comum para que a vida seja mais intensa e eficaz” 
(Ivone Gebara)

Queridas companheiras,

Desde Bogotá, neste 8 de março,  nos unimos para celebrarmos juntas a luta, a ousadia e as conquistas que nós mulheres construímos ao longo da história. Fazemos memória da nuvem de testemunhas de todas aquelas que pela vida, dignidade e liberdade da mulher não mediram esforços e doaram suas vidas. Unimos-nos a todas as que continuam em todos os continentes nos diversos campos de atuação social, política, religiosas e econômica, comprometidas com processo de libertação e transformação da realidade e das relações de desigualdade de gênero.


Que esta comunhão e celebração nos recorde e fortaleça na luta para enfrentar o tráfico de pessoas, que nos dias de hoje vitimiza e escraviza majoritariamente mulheres.

Que nossa rede possa continuar tecendo com ternura e firmeza a defesa da vida e da dignidade das mulheres.

Abraços
Pela coordenação Eurides e Gabriella

Dia Internacional da Mulher a Mulher

Um marco para a luta pela liberdade, por direitos, pela paz.

Vamos continuar unindo vozes em um grito pela vida!
"Nossa luta é todo dia, mulher não é mercadoria."

76% das vítimas do tráfico de pessoas é do sexo feminino.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Manaus - AM, faz lançamento da Campanha da Fraternidade no Porto da Cidade.

 
Celebração de Abertura da Campanha da Fraternidade em Manaus - AM
 O tema da Campanha da Fraternidade versa sobe – “Fraternidade e Tráfico Humano” com o lema: é para a liberdade que Cristo nos libertou.
A Amazônia é um dos focos de atenção da Campanha da Fraternidade (CF).
Traz à tona a grave situação em que vivem as milhares de pessoas do mundo que se encontram em situação de violência do tráfico humano.
No Brasil a grande maioria, das pessoas traficadas são mulheres adolescentes e jovens, na faixa etária de 12 a 21 anos. Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT, ano de 2012).
Segundo o Diagnostico do tráfico de pessoas nas regiões de fronteira lançado em outubro de 2013, dos 11 mil quilômetros de fronteia, o Amazonas responde por uma faixa de 6,5 mil quilômetros, a Região Amazônica tem muitas rotas internacionais do tráfico de pessoas. É preciso chamar a atenção para esse crime que atua na clandestinidade, é preciso dar visibilidade para que as pessoas possam denunciar.
Em Manaus, o lançamento da campanha aconteceu na quarta-feira de cinzas (dia 5), no Porto da Manaus Moderna  Centro da cidade. O cenário foi escolhido para a celebração, onde foi feito  à memória   histórica ligada ao enriquecimento da  cidade de Manaus. “Temos aqui próximo o mercado Adolfo Lisboa construído em 1883 com ferros importados da Europa. Esse centro histórico marca o ciclo da borracha, momento de intenso processo migratório que explica o motivo da criação de um grande mercado para acomodar o aumento da demanda dos produtos para atender ao aumento da população. Mas, marca também a história de 35 mil nordestinos que, por causa da seca, vieram em busca de melhores condições de vida e que, com outros trabalhadores das várias regiões do país, somaram-se 45 mil levados à escravidão por dívida e à morte por doenças adquiridas pela exposição ao ambiente. Após recrutados, ficavam acampados em alojamento sob rígida vigilância militar para seguir viagem por horas para os seringais.”
A Celebração de  abertura foi um ato ecumênico, chamando toda sociedade, instituições, igrejas para contribuírem no enfrentamento ao tráfico de pessoas.
O Arcebispo dom Sérgio Eduardo Castriani destacou a necessidade de toda sociedade trabalhar na prevenção a este crime, enfatizou a necessidade de um trabalho articulado com todas as instituições governamentais, sociedade civil por se tratar de um crime perigoso. Dar visibilidade para que as pessoas possam denunciar quando se encontram nesta situação. Nosso compromisso enquanto igreja é de acolhida das pessoas vitimas desta violência, e não de revitimização das mesmas.
A celebração de abertura contou com dois grandes momentos:  o aprisionamento de três jovens numa uma grande gaiola, erguida por um guindaste, simbolizando o aprisionamento de milhares de pessoas vitimas do tráfico humano, com pedidos de perdão pelo silêncio perpetuado ao longo da história. À luz da Palavra de Deus, a gaiola foi abaixada e os jovens ajudaram a libertar as pessoas aprisionadas, dando-lhes liberdade. Muitos foram os louvores pelas tantas iniciativas de grupos, instituições, organizações que contribuem para romper a rede do tráfico de pessoas.
            Finalizando o momento celebrativo, todos os participantes já de posse de uma corrente, forma convidados a gritar, não ao tráfico humano, quebrando as corrente, como gesto concreto desta campanha da fraternidade, assumindo o compromisso que trabalhar no enfrentamento a este crime em seus espaços de atuação formando uma grande rede humana. “É para a liberdade que Cristo nos libertou”.

Roselei Bertoldo
Congregação da Irmãs do Imaculado Coração de Maria
Rede Um Grito Pela Vida.CRB



Aprisionamento dos jovens.



A libertação à luz da Palavra de Deus.


A multidão simbolicamente rompe com as correntes da escravidão.

Hino da Rede Um Grito pela Vida


http://www.youtube.com/watch?v=Q7BuiMOV6GQ

MERCADORES DE CARNE HUMANA

Pe. Alfredo J. Goncalves, CS

A frase do título representa uma denúncia de Mons. João Batista Scalabrini, então bispo de Piacenza, norte da Itália, no final do século XIX e início do seculo XX. Scalabrini – denominado “pai e apóstolo dos migrantes” – referia-se aos intermediários gananciosos e sem piedade que, no fenômeno das grandes migrações históricas da época, traficavam com a abundante mão-de-obra dos emigrados europeus (especialmente italianos) para as Américas, a Austrália e a Nova Zelândia. Segundo historiadores da envergadura de Eric Hobsbawn e Peter Gay, entre 1820 e 1920, mais de 60 milhões de pessoas deixaram o velho continente com o objetovo de reconstruir a vida nas “terras novas” de além-mar. Vítimas da expulsão em massa do campo para a cidade, enquanto certa porcentagem se empregava na indústria nascente, boa parte não conseguia trabalho, tendo de cruzar os oceanos para fugir de um destino de miséria e fome na Europa rápida e recentemente urbanizada.
Entre o desemprego, a pobreza e a necessidade, por um lado, e o desafio de “far l’America”, por outro, interpunham-se os tais “mercadores de carne humana”. Mercadores, sim, porque gente sem coração e sem alma diante dos dramas humanos causados pelos efeitos da Revolução Industrial. Ao contrário, aproveitavam-se da condição e das esperanças dos emigranets que buscava um futuro melhor para a família, comercializando inescrupulosamente os seus sonhos de trabalho e pão, pátria e dignidade. Se é verdade que a mobilidade humana faz parte do direito de ir e vir, também é certo que muitas vezes tais deslocamentos intercontinentais tornavam-se forçados e compulsórios, devido ao êxodo rural em massa e as condições extremamente precárias nos países ou regiões de origem.

ABERTURA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2014


Fraternidade e Tráfico Humano

"É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gál 5, 1)



Desde os anos 60 do século passado, movida pela renovação pastoral proposta pelo Concílio Vaticano II a Igreja Católica do Brasil realiza a Campanha da Fraternidade no período quaresmal, tempo propício para oração, reflexão e mudança de vida. É uma proposta pastoral de Evangelização sócio-transformadora assumida pela Conferencia dos Bispos do Brasil – CNBB, com o objetivo de despertar os cristãos para vivencia comunitária da fé, através de um compromisso com a promoção humana e a justiça social.

A cada ano a Campanha da Fraternidade aborda um tema específico, a partir do qual toda Igreja e Sociedade são convidadas a refletir e analisar evangelicamente a realidade em que vivemos, a fim de despertar e contribuir na superação da indiferença, das injustiças sociais, e na vivência da solidariedade, cidadania, partilha reconciliação e fraternidade.

Seguindo sua trajetória missionária de evangelizar, através do compromisso solidário e profético frente às situações que ameaçam e destroem a Vida das pessoas, particularmente dos pobres excluídos. Desde os anos 80, através da Comissão Pastoral da Terra, do Setor de Mobilidade Humana, da Pastoral da Mulher Marginalizada, da Rede um Grito pela Vida, e mais especificamente nos últimos anos através do GT (Grupo de Trabalho) de Enfrentamento ao Tráfico Humano, a Igreja do Brasil vem atuando em prol da defesa dos direitos humanos e das pessoas traficadas.