No dia 1º de Agosto de 2016, estivemos na Vigília da Dignidade, na Cinelândia – Rio de Janeiro. Marcamos presença nos identificando com nosso banner de sensibilização e distribuímos a revista em quadrinhos “Na Trilha de Maria – Armadilhas invisíveis”, que fala sobre a vulnerabilidade social no contexto do tráfico de pessoas para servidão doméstica.
Por cerca de três horas conversamos com as pessoas e entregamos nosso material. Nossa atuação chamou a atenção e despertou a curiosidade. Muitas pessoas fizeram fotos dos banners e o canal de TV TELESUR gravou uma entrevista sobre nosso trabalho.
O tráfico de pessoas é um dos
crimes mais hediondos da atualidade. A crescente consciência da dignidade
inalienável de cada ser humano colide com uma realidade em que milhares de pessoas
são mercantilizadas e escravizadas mediante falsas promessas, enganos, dívidas
e outras formas de chantagens. Por causa disso, governos, organizações internacionais
e a sociedade civil pautam a luta contra o tráfico de pessoas como uma das
prioridades na defesa dos diretos humanos, em nível nacional e internacional.
Nesta data, 30 de julho, Dia
Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, instituído pela Assembleia
Geral da ONU – proposta para aprofundar a reflexão e intensificar a ação no
enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, retomemos a afirmação do Papa Francisco,
ao dirigir-se à Conferência Internacional de Juízes e Magistrados contra o
Tráfico de Pessoas e o crime organizado, no dia 3 de junho último. Na ocasião,
Francisco sublinhou que o tráfico de pessoas, o contrabando de migrantes, e
outras novas formas de escravidão, tais como o trabalho escravo, a exploração
sexual, o tráfico de órgãos, o comércio da droga, a criminalidade organizada,
são crimes de lesa humanidade que devem ser reconhecidos com tais por todos os
líderes políticos, religiosos e sociais, e previstos nas legislações nacionais
e internacionais (Rádio Vaticano, 3jun2016).
É preciso cominar penas que
sejam para a reeducação dos responsáveis e sua reinserção na sociedade. Se isso
vale para eles, “tanto mais para as vítimas” que são passivas e não ativas no
exercício de sua liberdade, “tendo caído na armadilha dos novos caçadores de
escravos. Vítimas muitas vezes traídas na dimensão mais íntima e sacra da
pessoa, ou seja, no amor que aspiram em dar e receber de suas famílias ou que é
prometido por seus pretendentes ou maridos, e que ao contrário disso acabam
vendidas no mercado do trabalho forçado, da prostituição ou da venda de órgãos.
”
Neste contexto de apelo ao aprofundamento
do estudo sobre a temática e os desafios do tráfico humano, é oportuno recordar
que pesquisadores, agentes sociais e pastorais consideram a abordagem hegemônica
sobre o tema do tráfico de pessoas ainda superficial. Existe pouca visibilidade à percepção desta grave
violação de direitos que afeta milhares de pessoas. Ninguém pode se furtar à
responsabilidade de identificar, denunciar e combater este mal que corrói o
tecido social e que degrada vergonhosamente a conduta humana e a sociedade.
Conclamando a Igreja e a
sociedade, Francisco sublinha a importância de criar uma rede que possa
favorecer a troca de experiência e somar forças contra este crime, e que
permitam combater melhor as novas formas de escravidão. “A Igreja é chamada a
empenhar-se para ser fiel às pessoas, ainda mais se consideradas as situações em
que se tocam as chagas e os sofrimentos mais dramáticos. Neste sentido a Igreja não deve cair naquela
máxima que a quer fora da política, pelo contrário, “deve colocar-se na ‘grande
política’, porque” – como dizia Paulo VI – “a política é uma das formas mais
elevadas de amor”.
A atenção e
a preocupação com o tráfico de pessoas são reforçadas com a proximidade dos
jogos olímpicos 2016, em nosso País. Alertas são intensificados para evitar que
a atração por falsas promessas de trabalho e ganhos fáceis sejam caminhos de
exploração, de abuso, de sofrimento e mesmo de morte para seres humanos,
criados à imagem de Deus, cuja dignidade deve ser respeitada e protegida
incondicionalmente.
Novamente as palavras de Francisco:
“Apelamos à consciência de uma humanidade que busque em Deus um motivo de
esperança, e na misericórdia de Deus também a possibilidade de constituir redes
e perdão, porque há também que considerar isto: há vítimas e há agentes
criminosos e é preciso alcançar a reconciliação entre todos. Unida ao Papa
Francisco, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, roga a Maria, Mãe da
Misericórdia, que ilumine a todos aqueles e aquelas que nos escutam e que nos
ajude a realizar redes de libertam”.
Brasileiros
das capitais pesquisadas têm ideias difusas quando pensam pela primeira vez em tráfico
de mulheres.
Menções
mais frequentes passam por prostituição, desumanidade, indignação e exploração.
O
ciclo de formação de ideias sobre o tema, mostra a pesquisa, passa por
desinformação, má informação,
admissão do problema, preocupação, preconceito e culpabilização das vítimas, o que
contribui para a falta de consensos sobre o problema.
No dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, 30 de julho, numa perspectiva de intervenção social, por meio do núcleo de Salvador, a Rede um Grito pela Vida esteve presente no JMJ Live in Salvador, evento realizado no Ginásio São José na Cidade Baixa, Bonfim. O evento aconteceu em comunhão com a Jornada Mundial da Juventude na Cracóvia, Polônia. Momento de esperança e potencialização da solidariedade entre as gerações, pois, cuidar da vida é o nosso Compromisso em qualquer lugar.
O Tráfico de pessoas configura em nossos dias uma grande chaga social, que desumaniza e crucifica milhões de pessoas em todo o planeta. Constitui uma das formas mais explícitas da escravidão do século XXI. Reflete profundas contradições históricas das relações humanas e sociais da humanidade. Vulnera e viola a dignidade e a liberdade de numerosas pessoas, particularmente mulheres e crianças, mercantilizando e ferindo seus corpos, matando seus sonhos e o direito de viver com liberdade. Configura hoje uma das piores afrontas à dignidade humana e um das mais cruéis violações dos direitos humanos.
Sua erradicação é sonho e missão de todos nós, que acreditamos na possibilidade de um “outro mundo possível”, em uma sociedade pautada no direito, na justiça social e na superação de toda forma de violência, exclusão e tráfico.
O Núcleo de Manaus da Rede Um Grito Pela Vida integra as ações de prevenção ao tráfico de pessoas na Semana do 30 de julho, promovida pela ONU.
No dia 21 de julho participamos da divulgação da campanha
por meio do Centro de Mídia da Secretaria de Educação, com a representação de Ir. Santina. Já no dia 22 de julho, estivemos presentes no Seminário Políticas
Públicas para Crianças e Adolescente, no bairro Monte das Oliveiras, com a representação de Sandra.
Confira as próximas atividades que contarão com a nossa participação nesta Semana de Enfrentamento que destaca o Dia Mundial contra o tráfico de pessoas.
27/07
Das 14h às 17h: formação sobre abuso e exploração sexual – Rede Um Grito Pela Vida – CRB.
26 e 27/07:sensibilização na Escola Cacau Pereira.
Dia 28/07
Das 9h às 12h - Auditório da SEJUSC: reunião com o Comitê
de Enfrentamento ao tráfico de pessoas e responsáveis pelos postos de
atendimento ao migrante. (Rose e Eurides)
Das 15h às 17h - Auditório da SEJUSC:
- Solenidade de abertura da campanha.
- Palestra com Membro do Comitê
Nacional de enfrentamento ao TP. A Rede Um Grito pela Vida estará representada pela Ir. Rose Bertoldo e Ir. Eurides Alves.
Às 18h: iluminação azul dos prédios históricos da cidade.
Dia 29/07
Atividades nas escolas.
- Ir. Gabrielle, Rosangela e Socorrinha estarão presentes, na parte da manhã, no bairro do Puraquequara.
- Berenice Martins (Rose) marcará presença pela Rede no Bairro Mauazinho.
- Na escola Escola CETI: Eliza Bessa (Paulina, Rosineuda e Ananda) - Bola do produtor.
Dia 30/07
Panfletagem na Ponte do Rio Negro
Cotaremos com as equipes:
Jovens da Pastoral da Criança (articulação de Ray)
Barreira Policial, BR, Jovens de
Santa Etelvina (articulação de Patrícia), Porto da Ceasa ((articulação de Elineuza, Socorrinha
e Anajar).
29 a 31/07
- Seminário
Laudato Si.
- Participação
e formação sobre o tráfico de pessoas com a pastoral da criança.
O Núcleo da Rede Um Grito pela Vida de São Paulo irá participar do primeiro Simpósio Estadual sobre Tráfico de pessoas na III Semana de mobilização pelo 30 de Julho (Dia Mundial contra o tráfico de pessoas), organizada pelo Núcleo de
enfrentamento do TP e pela COETRAE, dentre outras entidades.
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Para participar do Simpósio, faça sua inscrição no
link:
Nesta semanda de mobilizações contra o tráfico de pessoas, a Rede Um Grito pela Vida se juntou à Campanha Coração Azul para ação de sensibilização no TIP (Terminal Integrado de Passageiro) Rodoviária de Recife.
Também estiveram presentes representantes do NETP/PE e Secretaria da Mulher da Prefeitura do Recife.
Pela Rede, jogando a favor da vida: Ir.Vera Lucia Bezerra, Ir. Sueli Duarte, Ir. Maria Inês, Ir. Cirleide A. Guedes e Fátima Evangelista.
Pubicado pela Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania- Brasília
A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus/DF) promove, de segunda-feira a sábado (25 a 30/7), a Semana de Mobilização para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. A série de eventos coincide com os preparativos finais dos Jogos Olímpicos, período em que o país verá aumentar exponencialmente o fluxo de turistas, exigindo maior atenção quanto à questão do tráfico humano. A programação inclui exposição alusiva ao tema no Aeroporto Internacional de Brasília, a realização de um simpósio técnico e uma caminhada de conscientização no Parque da Cidade.
“O tráfico humano é uma modalidade criminosa sutil e ainda pouco visível para a sociedade, mas que movimenta números elevados de vítimas e de cifras financeiras em todo o mundo. Questões como os refugiados internacionais, motivados por conflitos armados ou desastres ambientais, ou mesmo a mera situação de vulnerabilidade social, ainda muito comum em nosso país, abrem espaço propício para a atuação dos aliciadores. Esta semana temática é uma oportunidade para alertarmos a sociedade e ampliarmos os debates em torno de políticas públicas para combater o tráfico de pessoas”, diz o secretário de Justiça e Cidadania, Marcelo Lima.
A primeira ação está prevista para ocorrer na segunda-feira (25/7), na Rodoviária do Plano Piloto, a partir das 9h, em uma sessão solene com a presença de autoridades governamentais. Na ocasião, será anunciada também a abertura da exposição do Projeto Gift Box, instalada no Aeroporto Internacional de Brasília. A iniciativa consiste em uma campanha de rua que utiliza grandes “caixas de presentes” colocadas em espaços públicos. Cada uma das peças de arte simboliza como os traficantes enganam as vítimas com falsas promessas, simulando o processo de aliciamento. A parte externa da composição mostra uma embalagem atraente, que oferece uma nova forma de vida com frases convidativas, instigando a curiosidade do público. Uma vez dentro da instalação, as pessoas descobrem que não se trata de uma proposta de trabalho, mas do relato de alguém que foi traficado e colocado em situação de exploração sexual, laboral, servidão doméstica, além de outras modalidades, como adoção ilegal de crianças ou tráfico de órgãos.
Conferência acadêmica
O Simpósio Distrital da Rede de Atenção ao Migrante Refugiado e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas será o segundo evento da semana temática, previsto para ocorrer terça e quarta-feira (26 e 27/7), no auditório da Defensoria Pública da União, das 8h30 às 18h. O evento tem como objetivo reunir a comunidade acadêmica para discutir produções científicas acerca dos temas propostos. Participarão da conferência representantes da Universidade de Brasília (UnB); do Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas de Migração; do Ministério da Justiça e Cidadania; e da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados, entre outros órgãos públicos e entidades.
“Os especialistas vão expor estudos diversos, com conclusões quantitativas e qualitativas, sobre a realidade dos temas tratados. Neste mesmo evento, haverá ainda grupos de trabalho para discutir desafios e estabelecer estratégias de políticas migratórias e de enfrentamento ao tráfico de pessoas. Será uma reunião técnica, que pretende aproximar os diversos parceiros envolvidos em matéria de tráfico de pessoas e atendimento às vítimas de violações de direitos humanos”, acrescenta o secretário Marcelo Lima.
Caminhada de Conscientização
No sábado (30 de julho), Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, data instituída pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), ocorrerá o encerramento da semana temática, com a Caminhada de Conscientização. O evento será realizado das 8h30 às 11h30, com ponto de concentração próximo ao estacionamento 13 do Parque da Cidade. Durante a ação, servidores da Sejus/DF, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher distribuirão materiais informativos para a comunidade sobre como se prevenir contra os aliciadores. “Alertar as famílias, informando sobre os principais cuidados a serem tomados acerca de qualquer proposta que inclua mudança de domicílio, é seguramente uma das medidas mais efetivas para prevenir o tráfico de pessoas”, conclui o secretário Marcelo Lima.
Durante a semana de mobilização o Governo do Maranhão lançará Edital com Chamada Pública da sociedade civil para compor o Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.
Em março de 2017, a Rede Um Grito
pela Vida completará 10 anos de história e
compromisso no Enfrentamento ao tráfico de pessoas.
Uma história, um caminho um de
possibilidades, desafios e esperanças para recordar,
celebrar e projetar...
“Diante da Rede da Maldade
e da Morte, surge a Rede do bem - “Um Grito pela Vida”. Começou pequena como semente de
mostarda,mas está crescendo, criando força e influência no Brasil e
no mundo. A rede da maldade que promove o tráfico se organiza a partir do
desejo de lucro e de prazer. A rede “Um Grito pela
Vida” se organiza entre as Congregações religiosas com leigos/as e outras
Organizações do bem, a partir da fé em Deus e do amor à vida”. (cf. Carlos Mersters).
Para recordar!
Em março de 2007, um grupo de 28 religiosas de 20 Congregações, vindas de
diversas regiões do País, concluíram o curso de formação sobre tráfico de
pessoas, organizado pela Conferência dos Religiosos do Brasil- CRB, por
solicitação da UISG, União Internacional das Superioras Gerais, que em sua Plenária
Internacional, no ano 2000 havia assumido o
compromisso mobilizar as Conferências e Congregações a atuarem no enfrentamento
ao tráfico de pessoas, em particular contra o tráfico de mulheres. Indignadas e
sensibilizadas com a crueldade, amplitude e gravidade da realidade do tráfico
de pessoas no mundo e em nosso País, essas religiosas sentiram neste drama de
milhares de pessoas um desafio-clamor, que agride a vida, e viola a
dignidade de milhões de pessoas, sobretudo das mulheres e crianças. Foi um apelo de Deus que precisava ser acolhido e
enfrentado de forma conjunta. E para esta finalidade criaram a Rede um Grito
pela Vida.
Assim nasceu a Rede um grito pela Vida, como uma pequena semente de missão em rede no enfrentamento ao
tráfico de pessoas, plantada no chão dos nossos espaços de missão, de nossas
Congregações e da Conferência dos Religiosos/as do Brasil. Semente que ao longo destes 10 anos foi regada com ‘muita reza e muita luta’, cresceu e se espalhou pelo Brasil como
expressão Evangélico-política de
solidariedade e cidadania. Ganhamos visibilidade e
força mística e profética de
conscientização, articulação e mobilização em âmbito nacional e internacional.
“A
história da Rede Um grito pela Vida, se confunde com o inquieto impulso de
algumas Religiosas que contagiaram algumas Congregações. E, desde o primeiro
“grito”, ninguém mais segurou esta causa. A cada encontro, a cada reflexão, a
cada seminário, a rede cresce... a voz se levanta mais... as iniciativas se
concretizam... os fios se ligam. Profecia!”[i]
Hoje, a Rede Um Grito pela Vida, está presente em todas
as regiões do País, com 26 núcleos em 22 Estados e no distrito federal e conta
mais 300 religiosas/os, de aproximadamente 70
congregações, muitos leigos/as
integrantes dos núcleos e um grande leque de apoiadores/as e parceiros/as, no
enfrentamento aos Trafico de Pessoas.
Com o slogan/lema "Enfrentar o
tráfico de pessoas é nosso compromisso!", a Rede um
Grito pela Vida assume a missão de atuar na Prevenção, Atenção às Vítimas e Incidência Politica por meio de atividades
de:
- Sensibilização e informação, priorizando os
grupos em situação de vulnerabilidade, lideranças comunitárias, agentes de
pastoral e outros;
- Organização de grupos de reflexão e estudo, aprofundando as causas e situações que o
favorecem o tráfico de pessoas: questões de gênero, violência, modelo de
desenvolvimento, grande construções e projetos, grandes eventos, hedonismo
midiático, aumento da precariedade do trabalho, corrupção, impunidade, entre
outras;
- Capacitação de multiplicadores/as, visando ampliar a ação de enfrentamento ao
Tráfico de Pessoas, principalmente para fins de exploração sexual;
- Participação e mobilização social e políticade incidência na definição e efetivação de
politicas públicas de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.