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quarta-feira, 1 de junho de 2016

O tráfico de pessoas destrói sonhos e vidas - Rede Um Grito pela Vida alerta e mobiliza a população

Por Flávia Ferreira, com Agência Brasil

Uma oferta de emprego no Rio de Janeiro e USD 600 de ajuda de custo contribuiu para que Sara Juan Carlos saísse do Peru. Quando ela pisou em solo carioca confiando que sua vida mudaria para melhor, foi trancafiada por um mês, sem salário, sem alimentação e sem condições dignas de vida. O sonho havia acabado. A história de Sara foi contata por ela mesma  hoje (31), durante o lançamento da campanha “Jogue a Favor da Vida”, no Cristo Redentor, que tem o objetivo de mobilizar a população contra  o tráfico de pessoas, o trabalho escravo, a exploração sexual e a comercialização de órgãos humanos durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.

 “Eu pensei que a minha vida estava acabada”, disse a peruana, que agora está sob os cuidados da Pastoral do Migrante do RJ. Sara é uma das 45,8 milhões de pessoas que sofrem tráfico de pessoas do mundo, que são aliciadas com a proposta de um emprego dos sonhos ou de mudança de vida.


Foto: Flávia Ferreira
Foto: Flávia Ferreira
Um relatório do Ministério da Justiça informou que, entre 2011 e 2013, o número de denúncias de casos de exploração sexual  cresceu 86,5%. O dado passou de 32 casos recebidos pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) em 2011 para 170 no ano seguinte e para 309 em 2013. Nos primeiros quatro meses deste ano, já foram registrados mais de 500 casos de denuncia de abuso e exploração sexual, no Disque 100. Dentre estes casos de exploração sexual, com certeza embora subnotificados muitos tem indícios também de trafico de pessoas.

De acordo com irmã Eurides Alves de Oliveira, coordenadora da Rede um Grito pela Vida, os Jogos Olímpicos Rio 2016 podem representar um risco para o crescimento da violação de direitos, do trabalho infantil e da exploração sexual. “Somente com informação, prevenção e a pressão da sociedade podemos combater esses crimes”.

Para Eurides, o tráfico de pessoas é o último estágio da violação dos direitos e em geral acontece por fatores socioeconômicos, culturais, por machismo e por conta da naturalização da violência de gênero. “Vamos combater todas as formas de violência  sexual, entre elas o estupro que comoveu e indignou na população com os últimos acontecimentos no Rio de Janeiro”.

A preocupação da sociedade civil é compartilhada pelo Governo do Estado através do comitê Estadual de Enfrentamento ao trafico de pessoas. O superintendente de promoção dos Direitos Humanos da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, Miguel Mesquita, afirmou que representantes de diversos órgãos estarão atentos a violações nos locais de competição no período dos jogos, além de investir em campanhas publicitárias no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim e promover a semana nacional contra o tráfico de pessoas, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), no mês de julho, por ocasião da semana internacional de luta contra o tráfico humano.

Mesquita defende que é preciso alertar a população: "O tráfico de pessoas é um crime muito escondido. As pessoas não sabem que existe, não sabem como acontece. É tudo muito misterioso. As pessoas envolvidas são muito articuladas e contam com o envolvimento de indivíduos de classes mais altas". O superintendente recomendou denunciar ou buscar orientação quando se deparar com ofertas de emprego boas demais, convites de viagem e propostas de casamento no exterior. "O tráfico vai trabalhar sempre com a vulnerabilização. Se a pessoa quer um emprego, quer realizar um sonho, precisa sair de uma situação de guerra".

A campanha foi lançada pela Rede Um Grito pela Vida, o  Movimento Nacional dos Direitos Humanos, e o Centro dos Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu ( Fórum Grita Baixada). Além do Rio de Janeiro, outros 22 estados mais o Distrito Federal receberão a campanha, além de ser divulgada internacionalmente pelas Redes Continentais Kawsay, Ramá e a nível mundial pela Talitha KUM.


Foto: Flávia Ferreira

Foto: Flávia Ferreira
Foto: Flávia Ferreira
Foto: Flávia Ferreira

Foto: Flávia Ferreira
Foto: Flávia Ferreira
A ação contou com a presença de diversas igrejas e organizações religiosas, a Casa do Menor São Miguel Arcanjo, do Centro de População Marginalizada, da Conferência de Religiosos do Brasil, da Igreja Batista Nova Filadélfia e do Movimento Humanos Direitos.

Para denunciar casos de tráficos de pessoas, disque 100 e/ou 180.


Por Flávia Ferreira, com Agência Brasil

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