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quinta-feira, 24 de abril de 2014

SE SOUBESSES...

“Se soubesses irmã quantas lágrimas temos derramado... se soubesses...”
Ó...  que saberemos nós na própria pele da violação desmedida a seus direitos, do excesso planejado de maldade?

Sabemos por que seu coração se abre confiante porque seus olhos
Deixam cair lágrimas de dor e de medo...

Hoje te vi mulher de pele negra,
Com seu rosto tenso, encoberto pela tristeza, presa do terror.
Seus olhos avermelhados derramando lágrimas para dentro
E sua voz como um gemido sussurrando: “Tenho medo, muito medo”.

De fato seu medo é muito real, vem à sua memória imagens de companheiras assassinadas pelo despotismo e inumanidade de quem as explorou.

E sentes as saudades de sua pátria distante,
Da paisagem, de seus filhos e filhas e de algum outro parente...
Lembras-te com angústia das dívidas impostas por mãos opressoras.

Sente-te e é verdade que tem sido explorada, enganada,
Sem esperança do retorno ao sonho que te lançou à “aventura”.
E te perguntas: Será realmente uma aventura?

Tuas aspirações mais legítimas de melhorar a vida
Lançaram-te sem rumo ou talvez ao rumo dos que negociaram
Com sua credibilidade, com sua fé simples e singela,
Com o jeito próprio de sua terra natal.

E chegas ao país de seus sonhos atravessando mares
Debruçando-se sobre obstáculos e removendo escombros,
Acreditando na promessa de um futuro melhor para você e seus filhos,
Para acabar com a dor e a crescente exclusão.

Esta poesia foi escrita por Ir. Manuela Rodríguez Piñeres a partir da experiência de acompanhamento a mulheres dominicanas traficadas que chegavam à Argentina.

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