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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

REDE UM GRITO PELA VIDA EM MISSÃO: PÓS-OLIMPÍADA DE PREVENÇÃO AO TRÁFICO


“É missão de todos/as nós, Deus nos chama  e quero ouvir a sua voz...”

A realidade gritante do Tráfico de Pessoas é um apelo constante em nossa vida. É missão de todos/as nós sermos semeadores/as de Vida onde ela está mais ameaçada. A realidade das pessoas migrantes, refugiadas e traficadas, com suas vidas em alto risco de morte, nos interpela a não ficar indiferentes diante dela, como nos alertou em repetidas ocasiões o Papa Francisco.

Na  matéria da Agência Ecclesia do 26.10.2016, referente a uma audiência pública, ele defendeu o fim dos “muros” para as pessoas que se veem forcadas a migrar em procura de melhoras condições de vida, pelas mais diversas situações de exclusão vem sendo produzindas por meio do capitalismo, que se tornou pior logo após a Segunda Guerra Mundial e hoje cria explorações ainda mais sofisticadas. O Papa, mais uma vez, nos deixa um alerta para o Tráfico de pessoas. Ele ainda quebra os muros da indiferença com ações concretas. Na mesma matéria ele firma um compromisso: “O Vaticano acolhe, a partir de hoje, um encontro do Grupo Santa Marta, que inclui representantes da polícia, bispos, religiosas e representantes da sociedade civil,  para um debate sobre a luta contra o tráfico de seres humanos.

Nessa audiência pública “o Papa Francisco falou das duas obras de misericórdia que convidam à solidariedade com “o estrangeiro” e  com“quem está nu”. Ele trouxe à tona o sentido dessa nudez, não só olhando, mas deixando-se tocar pela realidade do tráfico de pessoas e outros meios geradoras dela: ... “A nudez pode significar também a “dignidade perdida”, dando como exemplos “as mulheres vítimas de tráfico, atiradas para a rua”, o uso do “corpo humano como mercadoria”, incluindo o das crianças, a falta de salário “justo” ou a discriminação em função da raça ou da religião”.
Em fidelidade ao chamado de Deus e do Papa Francisco, a Rede Um Grito pela Vida -RUGPV continua sua missão de alertar contra o Tráfico de pessoas nas escolas. Nesse sentido, prosseguiu com o  trabalho que iniciou no mês de agosto na Escola Kennedy, da Vila Formosa, com o grupo de professores/as.
Do dia 04.10.2016 ao dia 14.10.2016, as participantes  do Núcleo da Rede de São Paulo realizaram a grande “Pós-olimpíada”  de prevenção do tráfico com a metodologia de oficinas, utilizando vídeos, a cartilha “Na trilha de Maria”, linguagens artísticas (música, artes plásticas, encenação, entre outras) com o objetivo de sensibilizar alunos/as dessa escola sobre a realidade do abuso sexual infantil e do tráfico de pessoas.
Vale salientar alguns destaques deste processo:
·   A maioria dos/as alunos/as conheciam do tráfico  e do abuso sexual infantil porque lhes contaram ou leram e poucos/as por convites que tiveram. Uma grande parte dos/as que formam o corpo discente da escola, conhecia a realidade do tráfico de pessoas através da novela “Salve Jorge” da Rede Globo (2014);
·    Houve interesse, sobretudo dos/as alunos/as do 6° ano, de levantar questionamentos, aprofundar mais e levar a informação para suas famílias. No dia seguinte, vários/as deles/as se aproximaram para dizer: Eu contei à minha família do que se falou na oficina e me escutaram com muita atenção.” “ Eu pesquisei em vários sites e  encontrei mais informações. Como é bom conhecer e dar-se conta que o tráfico de pessoas não está longe de nós”.
·   A internalização como “algo natural” dos estereótipos do que é masculino e feminino legitima e reproduz a submissão e subordinação  das mulheres e os homens a acreditam que têm  esse poder. Isso ficou bem explícito na análise  e debate a partir de canções de Funk com os 7°, 8° e 9° ano. 
·  Encontramos situações de crianças que manifestaram ter tido convites para serem abusadas; nos grupos para Educação de Jovens e Adultos (EJA) duas pessoas que estiveram em situação de trabalho escravo e condições análogas à escravidão. Uma delas deu o depoimento diante do grupo. Foi um grande impacto ter esta realidade tão próxima.
Ressaltamos que a Rede se comprometeu a fazer um acompanhamento delas.
·   Uma das professoras, ao receber a sensibilização, constatou que uma amiga estava sendo aliciada pelo facebock, repassou dita informação para ela e a mesma desistiu desse relacionamento pela internet.
Em conclusão, é bom dizer que a graça de Deus e o compromisso firme no enfrentamento ao tráfico de pessoas falaram mais alto. Três religiosas, um leigo e dois parceiros/as da Rede conseguiram abranger quase 700 pessoas desta Escola. As famílias ainda serão sensibilizadas. 

A avaliação com o Conselho aconteceu no dia 31.10.2016, no local da Escola. A seguir, alguns dos aspectos mais relevantes:
·         Valorização do trabalho da Rede Um grito pela vida quanto à prevenção ao tráfico e ao abuso sexual infantil;
·   Proposta de dar continuidade ao trabalho formando um grupo de multiplicadores/as. A Escola fará o convite a professores/as, pais e mães de alunos/as. A Rede fará o treinamento;
·      Um tema muito atual que está afetando a vida de muitas crianças, jovens e  adolescentes;
·      Uma mãe presente na reunião colocou que os filhos/as foram contar para ela tudo o que tinha ouvido das irmãs. Diz ainda que algumas coisas eram iguais ao que a mãe dela lhe falava, mas que só agora conseguiu prestar atenção.

 Por Ir. Manuela Rodríguez Piñeres(OSR)- Rede Um Grito pela Vida – SP

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