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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Somos luzes contra o tráfico de pessoas!

Vamos nos unir em um só grito e iluminar o mundo.

DIA INTERNACIONAL DE ORAÇÃO E REFLEXÃO SOBRE O TRÁFICO DE PESSOAS. 
ACENDA UMA VELA CONTRA O TRÁFICO DE PESSOAS
ENFRENTAR O TRÁFICO DE PESSOAS É COMPROMISSO DE TODAS/OS

O Tráfico de pessoas configura, em nossos dias, uma grande chaga social. Constitui uma das formas mais explicitas da escravidão do século XXI. Reflete profundas contradições históricas, nas relações humanas e sociais. Configura uma das piores afrontas à dignidade humana e uma das mais cruéis violações dos direitos humanos. 

Organizações da sociedade Civil, dentre elas a Rede “Um grito pela Vida” atua no enfrentamento ao trafico de pessoas, nas diversas regiões do país, articuladas em núcleos, integradas com as organizações eclesiais e civis, fomentando, promovendo e/ou participando de atividades e processos de prevenção e atenção às vítimas, e na incidência política, buscando instruir e instrumentalizar a sociedade, e coibir o crescimento da inserção das novas pessoas neste mercado do crime, que está entre as três formas ilícitas mais rentáveis do mundo: armas, gente e drogas.

Conforme as estimativas da organização Walk Free, cerca de trinta milhões de pessoas no mundo são vítimas de tráfico de pessoas. Trata-se de mulheres, crianças, adolescentes e homens submetidos a todas as formas de explorações: trabalho escravo, servidão domestica, adoções ilegais, mendicância, tráfico de órgãos, exploração sexual, para práticas criminosas.

As principais vítimas pertencem aos grupos mais vulneráveis: migrantes, mulheres, crianças e adolescentes, procedentes de regiões marcadas pela pobreza, instabilidade política e desigualdade econômica. A Organização das Nações Unidas contra o Crime (UNODC) em seu relatório global de 2012 aponta que no mundo inteiro, e não diversamente em nossa América Latina, a maioria absoluta das pessoas traficadas, 75%, são mulheres jovens e crianças e adolescentes, principalmente para exploração sexual.

Os empresários do tráfico de pessoas compreendem aliciadores e agenciadores que integram uma rede complexa e articulada que envolve inúmeras pessoas e instituições. O Brasil, país de origem, trânsito e destino desta prática criminosa, é responsável por 15% das pessoas exportadas da América Latina para a Europa.

O trafico de pessoas desvela a pecaminosa logica de um sistema que estruturado e sustentado nas desigualdades e na injustiça. É imprescindível um trabalho consistente de superação das causas do tráfico de pessoas. Não é possível apregoar a erradicação do tráfico de pessoas sem combater a escandalosa desigualdade socioeconômica que faz ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres. Acoplados a esta causa estruturante, o tráfico de pessoas resulta de uma multiplicidade de outros fatores sociais, culturais, ideológicos e políticos expressos nos paradigmas etnocêntricos e patriarcais que perpetua as desigualdades de gênero e raça, nos fluxos de migração forçada, na pornografia midiatizada, no déficit da legislação e na impunidade.

Neste contexto de vulnerabilidades acumuladas, o enfrentamento ao tráfico de pessoas impõe a necessidade de um processo articulado de formação e mobilização social, capaz de eliminar as estruturas de exclusão e morte que o produzem e sustentam. A construção de uma sociedade sem tráfico de pessoas requer um processo permanente e incisivo de intervenção em todos os níveis e dimensões: na prevenção, na atenção e assistência as vitimas, na incidência politica e responsabilização dos culpados.

Essa tarefa se impõe a todas e todos nós: sociedade e Estado. Urge uma ação planejada, articulada para barrar essa chaga do corpo da humanidade. “ O tráfico de pessoas é uma chaga no corpo da humanidade, um crime contra a humanidade.(...) Uma derrota para o mundo. Todas as pessoas de boa vontade não podem permitir que milhões de mulheres, homens e crianças sejam tratados como objetos, enganados, violados, vendidos e revendidos, com diferentes fins, prejudicados no corpo e na mente, e depois descartados, abandonados ou assassinados. Isto é uma vergonha. Uma derrota para o mundo. Não pode continuar!.” (Papa Francisco)

Irmã Eurides Alves de Oliveira, ICM
Coordenadora da Rede Um grito Pela vida

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