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domingo, 9 de março de 2014

Igreja e Estado se dão as mãos quando o assunto é ‘ser humano’


ESCRITO POR CRB COMUNICAÇÃO LIGADO . PUBLICADO EM DESTAQUE


 Lançamento da CF 2014  confirma unidade entre Igreja e Estado no combate ao Tráfico de Seres Humanos que gera cerca de 32 bilhões de dólares ao ano e dizima milhares de famílias brasileiras. 
Por Rosinha Martins| 06.03.14| Crime sutil e de difícil combate o Tráfico de Pessoas tem sensibilizado a Igreja e a sociedade que juntas buscam formas eficazes de enfrentamento. Uma Coletiva de Imprensa na sede da Conferência Nacional dos Bispos Brasil (CNBB), lançou na tarde desta quarta, 5, em Brasília, a Campanha da Fraternidade, que tem como tema o Tráfico de Seres Humanos. O evento reuniu membros da Igreja e do governo, tais como o secretário Geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, a Secretária Executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), a pastora Romi Márcia Bencke, além do Dr. Marcello Lavènere Machado, representante do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
“O Tráfico humano é o cerceamento da liberdade e o desprezo da dignidade dos filhos e filhas de Deus. A Campanha tem como objeto identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciar a violação da liberdade e da liberdade humana”, disse dom Leonardo Steiner. Segundo o bispo, “o tráfico viola a grandeza de filhos e filhas, destrói a imagem de Deus, cerceia a liberdade dos que foram resgatados por Cristo. A sociedade, o Estado, as comunidades, as famílias, as pessoas certamente despertarão da 'globalização da indiferença' em relação ao tráfico humano. Para dom Leonardo, é estarrecedor o aumenta cada vez mais o tráfico de homens para o uso sexual”.
Dom Leonardo destacou, ainda, que as consequências mais fortes do Tráfico Humano são o trabalho escravo, a mercadoria sexual e trabalhos forçados em pequenas fábricas.
O secretário agradeceu a presença do presidente Nacional da Conferência dos Religiosos do Brasil, Irmão Paulo Petry e frisou que é de fundamental importância  trabalho que as Religiosas e Religiosos realizam no combate ao Tráfico de Pessoas.
Presente no evento, Irmão Paulo Petry convidou os Consagrados e Consagradas a reforçarem a Rede Um Grito pela Vida e destacou a importância da atuação masculina na luta pela prevenção dos tráfico. “Esperamos que a Vida Religiosa masculina se envolva com a Campanha porque como acenou dom Leonardo, o tráfico não é uma problemática que envolve somente mulheres”. Para Irmão Paulo é importante que a Vida Religiosa trabalhe em parceria e se familiarize com o texto-base da CF, a fim de não fazer denúncia na base de achismos e para se sensibilizar com a situação de famílias que têm filhos e filhas nessa situação. “Ás vezes se instaura o medo no coração dos religiosos e não queremos fazer a denúncia quando necessária. Que não tenhamos medo”, concluiu.
A secretária Executiva do CONIC, a pastora Romi Márcia Bencke, disse que é preciso falar de maneira bastante aberta sobre um tema tão complexo como o tráfico de pessoas, pois envolve grupos econômicos e sociais. “Somos desafiados a refletir de maneira honesta e franca sobre a maneira como estabelecemos as nossas relações com a sociedade, com a economia, com o trabalho, as formas como estabelecemos as relações de poder. O lema bíblico é um estimulador interessante para a reflexão: de que liberdade estamos falando? De uma liberdade com responsabilidade e garantir que todos tenham direito à vida digna”, afirmou.
A Pastora disse, também, que Igrejas Evangélicas planejam várias ações durante a Copa do Mundo oferecendo suporte espiritual e de combate à exploração nas cidades-sedes do evento.
O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, informou que o governo federal já desenvolve uma série de iniciativas que envolve a Polícia Federal, a Secretaria de Direitos Humanos, Secretaria de Direitos das Mulheres, entre outros. “Todos nós temos atuado seja num conjunto de ações policiais integradas, seja num conjunto de denúncias e agora temos essa oportunidade de junção de forças concentradas através da Campanha da Fraternidade”, observou o Ministro.
Segundo Cardoso, a Campanha da Fraternidade favorecerá a formação de um comitê que atuará na busca do aprimoramento das políticas do Estado, receber sugestões e ao mesmo tempo enraizar atuações na sociedade. “É a nossa grande meta contra um crime que tem que ser combatido com o máximo de rigor”, justificou.
O Ministro afirmou,  também,  que os inquéritos abertos sobre o tráfico de seres humanos ainda é pequeno e o crime não é combatido por não vir à tona. “As vítimas têm vergonha de falar, os familiares não denunciam e às vezes as pessoas imaginam ser ajudadas por aqueles que são verdadeiros mentores e organizadores do delito. Precisamos conscientizar a sociedade que esse tipo de situação é inaceitável, que seres humanos não podem ser tratados como objetos e, portanto, o estado e a sociedade precisam enfrentá-lo cada vez com mais rigor”, finalizou.
Para o representante do Conselho Nacional da OAB, Dr. Marcello Lavènere Machado, a sociedade brasileira tem uma dívida com os africanos pelo período da escravidão e pelas consequências deste tráfico desumano que ainda ecoa no cotidiano dos negros no Brasil. “Devemos aos nossos irmãos africanos um pedido de perdão por tudo o quanto esse período significou e ainda hoje de alguma forma significa”. Para ele, sistemas de escravidão no Brasil, são verdadeiros campos de concentração. “São campos de concentração todas as nossas penitenciárias, por exemplo. Em cada cidade desse país temos um campo de concentração que atinge os mais vulneráveis e entre eles estão os nossos irmãos africanos”, argumentou.
Lavènere informou ainda que em todos os estados da Federação as Comissões de Direitos Humanos da OAB desenvolvem ações com a finalidade de ajudar a sociedade na denúncia de qualquer tipo de escravidão ou exploração de pessoas.
A Constituição Federal, em vigor deste 1988, assegura a relação de parceria, de aliança entre a Igreja e o Estado, quando se trata de colaboração em vista do interesse público.
Segundo Dr. Marcello Lavènere Machado, a Igreja exerce um papel fundamental e decisivo na história da sociedade brasileira. “A CNBB como órgão representativo da Igreja tem dado uma ajuda muito grande, assim como na ditatura militar que contou com a presença ativa de dom Paulo Arns e a Campanha ‘fora Collor’ pelo impeachment”, recordou.
Lavènere acrescentou que “o êxito da promulgação da lei 9840 contra o abuso de autoridade e a influência do poder econômico nas eleições, a coleta das assinaturas nas paróquias, recomendada pela CNBB que produziu um milhão e trezentas mil assinaturas e favoreceu a aprovação da Lei da Ficha Limpa”,  se deve à atuação maciça da Igreja que atinge lugares onde o Estado muitas vezes não consegue chegar.
O papa Francisco enviou mensagem por ocasião da abertura da Campanha no Brasil. O texto foi lido pelo secretário executivo da CF 2014, padre Luiz Carlos Dias. Confira aqui, a íntegra da mensagem do papa.
Fonte: CRB Nacional
Fonte: http://www.crbnacional.org.br/site/index.php/noticias/destaque/1148-igreja-e-estado-se-dao-as-maos-quando-o-assunto-e-ser-humano

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