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segunda-feira, 4 de março de 2013

São Paulo, 8 de março de 2012



A  Rede um Grito Pela Vida, núcleo São Paulo, realizou ontem (07 de março) um  evento de sensibilização com o tema: “Os riscos do tráfico de mulheres em tempos de megaeventos”.
 Com a assessoria de Ir. Eurides Alves de Oliveira, ICM- Socióloga,  cerca de 90 pessoas se reuniram no Auditório Paulinas para refletir  e aprofundar a temática .
Em sua fala, a Irmã Eurides destaca que o Tráfico de pessoas é uma questão complexa, que possui diferentes facetas e diversas causas, que é um fenômeno ligado à globalização capitalista. Fruto de uma série de fatores inter-relacionados: oportunidades de trabalho, fluxos migratórios, busca por melhores condições de vida, desigualdades sociais, de classe, gênero, de etnia, paradigmas culturais, morais sexistas...
Ela cita que   a  crueldade do Tráfico de pessoas e do trabalho escravo exige uma opção pastoral decidida e inegociável, e que o Enfrentamento  ao Tráfico de Pessoas foi oficialmente assumido pela Igreja no Brasil, CNBB, nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2011-2015, (nº 107 e 111)  “O serviço à vida começa pelo respeito à dignidade da pessoa humana... “Atenção especial merecem também os migrantes forçados pela busca de trabalho e moradia... as vítimas do Tráfico de pessoas”. 
Adentrando no tema comenta que  Brasil sediará alguns megaeventos, e  segundo o Ministério do Turismo, aproximadamente 500 mil turistas estrangeiros devem visitar o Brasil durante a Copa do Mundo e mais dezenas de milhões de brasileiros devem movimentar-se entre as cidades-sede.
Por um lado isso é bom ! Movimenta  a economia,  gera milhares de empregos torna o Brasil conhecido.... mas, traz junto... trabalho análogo à escravidão... aumento do trabalho infantil.. exploração sexual de crianças e adolescentes...higienização social...
Segue com uma citação de Mariana Cristina Moraes da Cunha :
 “O tráfico de mulheres é uma forma moderna de tráfico de escravos, pois sequestra mulheres, em especial jovens, de seus países e as obriga a trabalhar como profissionais do sexo muitas vezes em troca de um prato de comida, em regime fechado, aprisionadas. Anualmente quatro milhões de pessoas, em sua maioria mulheres jovens, são traficadas. De acordo com o Parlamento Europeu, a indústria sexual ilegal acumula, por ano, de 5 a 7 bilhões de dólares.
Com o ufanismo dos megaeventos, a esperança de melhorar de vida, aproveitando os grandes negócios, a indústria sexual ludibria as mulheres jovens e pobres com a possibilidade de trabalharem nos eventos da copa do mundo. Prometem que elas serão garçonetes, cozinheiras, as transportando de seu país de origem (países subdesenvolvidos, da América Latina, África e Ásia) sem nenhum dinheiro ou garantia de retorno e as levam para serem escravas sexuais disponíveis para os frequentadores dos megaeventos.
Na Copa do mundo em 2006 na Alemanha, o fato da prostituição ser legalizada foi um diferencial para a realização dos jogos lá. Este fato permitiu que a indústria do sexo não tivesse grandes problemas para traficar para a Alemanha nada menos que 40 mil mulheres, importadas da Europa central e do leste, para abastecer um gigantesco complexo ligado à prostituição.
Foi construída uma megacasa de prostituição, ao lado do principal estádio do país, com capacidade para 650 homens usufruírem de seus serviços simultaneamente. Vemos que o capitalismo se utiliza da legalização da prostituição, uma lei feita para proteger as profissionais do sexo, para potencializar seus lucros, explorando o corpo da mulher.
Já na Copa do Mundo na África do Sul, a prostituição não era legalizada, mas este país já fazia parte da rota de tráfico de mulheres, o que o tornava atrativo para ser sede de tais jogos.
A FIFA, grande agenciadora dos interesses das transnacionais, pressionou a África do Sul para que legalizasse a prostituição, o que não ocorreu. No entanto, os governantes deste país fizeram vistas grossas e o tráfico de mulheres (sequestro de meninas) aumentou ainda mais neste período de jogos mundiais. Segundo o porta-voz da polícia de Maputo, capital de Moçambique, essas meninas estavam sendo vendidas por US$ 670.”
Após o aprofundamento do tema, e um debate aberto, Ir. Eurides finaliza nos provocando que: A Erradicação do Tráfico de Pessoas  é uma tarefa urgente e necessária, sobre tudo em tempos de mega eventos.... 
Não deixemos que o fetiche dos mega eventos nos paralise. Gritemos pela VIDA! Somos mulheres e não mercadorias!

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